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segunda-feira, outubro 03, 2005

Arouca: Supeito de alvejar caravana socialista ouvidos pelo Tribunal


A polícia Judiciária apresentou hoje ao Tribunal de Arouca, o jovem suspeito de ter atingido com tiros de caçadeira uma jovem que assistia à passagem de uma caravana socialista numa acção de campanha.

Também um agente da GNR foi ferido, mas tal como a jovem teve alta médica ontem, dia em que tudo aconteceu.

Francisco Manuel



A própria caravana foi alvejada, mas parece posta de parte, a hipótese de motivações políticas. A versão dos populares, conformada pelas autoridades policiais, diz que o jovem, um electricista desempregado de 25 anos, residente na Freguesia de Santa Eulália, tinha como objectivo "obrigar" uma jovem, filha de um conhecido empreiteiro de obras públicas a namorar consigo. Foi perto da casa do empreiteiro, cerca das 11h45, que se cruzou com a caravana socialista, onde seguia o candidato à Câmara, Artur Neves, Armando Zola, actual presidente da Câmara, e o candidato à Junta de Santa Eulália, que abrandaram para distribuir mais algum material de campanha.

Nessa altura, o jovem efectuou dois disparos na direcção dos carros e de Armando Zola, gesto que repetiu pelo menos por mais duas vezes, uma delas em direcção ao candidato à Junta de Freguesia, segundo Artur Neves, o candidato do PS à Câmara de Arouca. Quase de imediato efectuou vários outros disparos, mais de vinte, segundo Jorge Oliveira das listas do PS, atingindo Ana Marisa, uma jovem de 19 anos que estava coma mãe, na varanda de casa, a assistir à passagem da caravana. A jovem foi atingida num braço, no peito e num olho, voltando hoje ao hospital de S. Sebastião para retirar o chumbo que aí ficou alojado.

Instantes depois surgia a GNR, que já tinha sido alertada por outros populares, que poucos minutos antes tinham assistido aos disparos do jovem sobre o carro onde seguia uma mulher grávida que apesar de não ter sido atingida teve de ser assistida no Hospital de S. Sebastião na Feira.

Ao sair do Jipe, um dos agentes foi atingido num braço, sendo obrigado a receber tratamento hospitalar. Segundo Artur Neves, candidato à Câmara de Arouca, o jovem caminhava estrada fora, “balançando a caçadeira”. Pensando que se tratava de um caçador, a caravana abrandou para distribuir a propaganda eleitoral, quando o jovem apontou a arma e disparou.

Problemas psiquiátricos

O jovem tem problemas de esquizofrenia e há algum tempo chegou mesmo a ser internado na ala psiquiátrica do Hospital de Aveiro.

Segundo fonte policial nesta altura o jovem teria interrompido a medicação que deveria tomar diariamente, o que poderá explicar o seu comportamento. Ao seu encontro veio o seu pai que o ajudou a escapar por entre os campos e matas. Cerca de três horas depois a GNR e a PJ tentavam convencer o pai do jovem a entregá-lo à justiça, mas apesar de estarem munidos de um mandado judicial, o homem, tentou impedir a entrada das autoridades, e por isso acabou por ser também ele detido. Foi o segundo comandante dos bombeiros de Arouca, Floriano Amaral, que convenceu a mãe do jovem a mostrar às autoridades onde se escondia o jovem.

Só cerca das 20 horas é que as autoridades encontraram a caçadeira, numa mata, escondida debaixo de alguns rancos de árvore. Foi o próprio jovem que indicou o local onde deixou a arma.
Segundo os populares o jovem, nunca antes se mostrou violento, mas já há vários meses que rondava a casa do empreiteiro perguntando se alguém estava em casa, levando, até a pensar que procurava emprego, algo que o jovem sempre recusou. Dizem ainda que o jovem e a rapariga em causa, andaram na escola até ao segundo ano, e desde aí até agora nunca mais se encontraram.

O jovem e o pai pernoitaram nos calabouços da PJ do Porto e chegaram ontem ao Tribunal de Arouca cerca das 11 horas. Entraram pela porta das traseiras, mas apenas cerca das 14 horas começaram a ser ouvidos pelo Juiz de Instrução Criminal, em primeiro interrogatório, que ainda decorria à hora do fecho desta edição. Desconhece-se, para já quais as medidas de coacção impostas.