O Comércio do Porto

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quarta-feira, setembro 21, 2005

A vergoha de ser português

Desculpem este desabafo, mas tenho de deitar cá para fora o que me vai na alma. afinal também é para isto que servem os blogs.
Hoje, pela segunda vez senti vergonha de ser português. Fátima Felgueiras, que eu não conheço, foi feita "heroína" pelo povo de Felgueiras. O próprio presidente da concelhia socialista afirmou à TVI que ainda não decidiu se a iria, ou não apoiar. Escapou à medida de coacção (prisão preventiva), decretada pela justiça, por suspeita de crimes de peculato e abuso de poder. O povo, de fotografias na mão atropelava-se para tocar na ex-autarca. Culpada, ou inocente, é essa mesma justiça que o vai determinar, foi deixada em liberdade, segundo o seu defensor, sem que fosse necessário evocar a imunidade que lhe é conferida como candidata às autárquicas de 9 de Outubro. Uma vergonha, as imagens da televisão, digo eu.
Isto coloca outra questão: Se um qualquer suspeito (sim porque Fátima Felgueiras ainda é apenas supeita) de crime de homicidio, violação, roubos à mão armada, ou qualquer outro crime, estiver em prisão preventiva, e resolver candidatar-se, é libertado para fazer campanha?
Esta é a minua primeira vergonha.
A segunda, foi no dia em que o tribunal devolveu à liberdade Paulo Pedroso. Nada contra, nem a favor, porque nem sequer conheço o processo. Agora, fazer uma "festa" em casa do todos os portugueses (A Assembleia da República)!?
Isto, nem merece comentário. É que aquela é a casa dos portugueses, não dos deputados.
Desculpem, mas tinha de desabafar.

7 Comments:

  • At 21 setembro, 2005 21:38, Blogger Pedro Bessa said…

    Faço minhas as tuas palavras. Não é só na Palestina que o povo revela o pior do fanatismo...

     
  • At 21 setembro, 2005 21:53, Blogger Manuela Pinto said…

    Eu vi uma mulher a beijar-lhe o braço!!! A desfaçatez tomou conta do País. Os militares (esses que nos garatiram a liberdade de expressão num longínquo 25 de Abril) não se podem pronunciar, nem manifestar. Quero ver onde isto vai parar!!!

     
  • At 21 setembro, 2005 23:29, Blogger Pedro Bessa said…

    Cara Manuela. Separemos as questões. Os militares podem pronunciar-se, aliás as suas associações são exemplo disso, mas não se podem manifestar nas ruas. É isso que diz a lei. E eu concordo. Os militares que protestam já conheciam a lei antes de apostarem na carreira militar. As exigências disciplinares são conhecidas de todos e só vai para lá quem quer (nota: os que protestam não são os desgraçados dos soldados que vão, obrigados, quatro meses para a tropa...). Sempre foi assim e é bom que assim continue a ser. Aliás, as chefias militares condenam manifestações de rua.
    Se têm ou não razão nas reclamações, isso é outra história. Eu acho que não têm na maior parte das queixas.

     
  • At 22 setembro, 2005 00:36, Blogger Vladimir Kaspov (NãoSeiDaNave) said…

    Faço minha a sua/vossa vergonha.

     
  • At 22 setembro, 2005 01:06, Blogger Manuela Pinto said…

    Olá Bessa! Concordo com quase tudo o que dizes. Não acho é correcto que haja leis que impeçam esta ou aquela força de segurança ou associação de se expressar. Tenham essas forças de segurança ou associações, ou outras, razão nos seus protestos. E nunca seria por discordar deste ou daquele ponto de vista que eu seria contra a expressão desse ideal. Por isso, a minha referência aos militares que fizeram o 25 de Abril. Essa revolução permitiu-nos poder falar sem medos. Aparentemente, pelo menos!

     
  • At 22 setembro, 2005 04:20, Blogger xitumba said…

    Seremos coleccionadores de fósseis?

    Confesso que isto de iniciar um post sem ter inicialmente um objecto directo de crítica não ocupa propriamente um lugar privilegiado na minha lista de preferências. De qualquer modo, faço-o, num já usitado tom para que a verborreia lusitana se dê ao trabalho de pensar de forma lúdica, aliás, uma das poucas formas que não assumem o estatuto de pretéritas para uma civilização cujos costumes há muito deixaram de contemplar esse verbo cada vez mais filosófico.
    E tal como o pensamento envelhece - que diriam Camões, Eça, António Sérgio, Virgílio Ferreira ou muitos outros desta blasfémia? - também o fazem os protagonistas (do costume), os heróis, os pseudo-heróis ou os símbolos... O Mercado do Bolhão envelheceu, o Comércio morreu (ainda que lhe possa estar destinada a mesma ressureição que aconteceu com JC acerca da qual ainda hoje muitos colocam pontos de interrogação), e, pelo meio, muitos heróis e salvadores (ou pseudo) desapareceram entre névolas ou cifrões, como um tal de Sebastião que comeu tudo-tudo-tudo, tal como o nosso sempre fiel e amigo durinho barroso.
    Mas, valha-nos ao menos isso, agora temos um discípulo de nome do pensador grego no poder! Anacronicamente fiel aos princípios da razão, o rapaz que prometeu diálogo vira agora as costas a manifestações de desagrado e a entregas de missivas, prometeu criação de postos de emprego e ignora e desmente a subida da taxa de desemprego, profetizou a recuperação da economia e trocam-nos as voltas com a troca do termo económico recessão por estagnação quando a verdade nos diz que ambas quereríam dizer o mesmo: que estamos mesmo na merda!
    Na verdade, o único dogma que, com alguma segurança, posso hoje partilhar reside no facto de o D ou a ausência do D nas siglas PS nem retira nem acrescenta... Como diz o outro, antes pelo contrário; fica tudo na mesma.
    E depois temos o caso da nossa sempre mui nobre e leal cidade Invicta cujos últimos desígnios políticos mais se assemelham a qualquer rábula ao estilo Monty Pyton. Será que os senhores do poder decidiram mesmo gozar com o Povo Portuense? Ou serão mesmo anormalmente estúpidos ao ponto de acreditar que um tal xico assis poderá ganhar por ser tão mentecapto como o seu provável antecessor na autarquia da capital do Norte cujo nome não me atrevo sequer permitir invadir o meu monitor?
    Por fim, e não menos importante, um regresso às raízes. Sempre ouvi dizer que "quem não aparece esquece"... Esta até podería ser uma fórmula eficaz para quem vivesse um desgosto amoroso mas, por amor de Deus, se ela, comprovadamente, se ajusta a este tipo de patologia sentimental, por que não adequá-la a outros tipos de patologias? Quem se lembraría de, numa altura destas, tentar impregnar o país de vírus, ainda por cima tão antigos - se fosse na informática, tenho a certeza de que já nem num 486 ou num Lentium 1 pegavam - como o Mário Só Ares ou o Acabado Silva? Lá está, só mesmo o PS(D)... Já agora, quantos arriscariam adivinhar por qual das duas forças políticas cada um vai concorrer?
    Confesso, para terminar, que não sou filiado em qualquer partido político pois acredito solenemente que não é possível standardizar num partido todo um conjunto de ideias extensível a uma diversidade tão grande de áreas como aquelas que se defendem e administram em política mas, uma vez mais, vou lutar por aquele que mais se assemelha à grande maioria das causas que defendo e preconizo serem as essenciais para o país. Por isto, votarei numa (infelizmente) eterna minoria de pessoas que demonstram ainda estarem na política pela política e que, invariavelmente, apresentam ideias e soluções, tentando, ao mesmo tempo, influenciar positivamente, informando outros cidadãos portugueses que, dentro da panópila actual, a melhor solução será mesmo o BLOCO DE ESQUERDA!

     
  • At 23 setembro, 2005 18:12, Blogger GR said…

    Só assim fala/escreve, quem tem dignidade, coerência e decência!
    È escandalosamente vergonhoso o que se está a passar em Portugal!

    GR

     

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