O Comércio do Porto

Num período em que deixou de haver papel para a tinta correr, os jornalistas e demais trabalhadores de O COMÉRCIO DO PORTO encontram neste espaço a via para o exterior, por forma a manter viva a alma do jornal mais antigo de Portugal continental. Envie as suas mensagens para comercio151@hotmail.com

quarta-feira, setembro 07, 2005

A triste verdade!

A propósito do post anterior, relativamente à cooperativa Alternativa, parece-me que, infelizmente, tive razão naquilo que disse na tal reunião em que os quadros do Comércio do Porto foram finalmente ouvidos... Ou seja, há uma atitude discriminatória na formação da cooperativa em relação aos antigos quadros do jornal.
Estamos claramente perante um processo no mínimo pouco dignificante para o Comércio do Porto, cujo nome (e não só...) está a ser utilizado por jornalistas imberbes, antigos colaboradores do jornal, à procura de protagonismo agora que se viram livres dos chefes e colegas mais velhos que tentaram, durante longo tempo, fazer deles profissionais sérios e, já agora, camaradas (alguns até, pensava eu, amigos). Como escrevia Emídio Rangel na sua crónica no Correio da Manhã, assinada no final de Agosto, nestes tempos de enorme concorrência profissional no meio jornalístico anda por aí muita "garotada mal formada" e bastante "gente pindérica à procura de palco". Esta é a triste verdade sobre a realidade do meio jornalístico em Portugal.
Entristece-me verificar que o Sindicato dos Jornalistas, que se ofereceu para apoiar logisticamente a formação de uma cooperativa, não tenha sido capaz alertar consciências, optando o seu presidente por assumir um protagonismo que não lhe cabe. (Já agora, alguém se questionou sobre por que motivo é o senhor presidente do Sindicato quem dirige e, aparentemente, decide a agenda das reuniões, enquanto os restantes membros da comissão dinamizadora se mantêm em silêncio?)
Jurei e até incentivei a não utilizarmos este blog para fazer julgamentos pessoais nem lavar roupa suja, mas os factos, porque do futuro de O Comércio do Porto se trata, parecem-me ser demasiado graves. Este é um jornal com 151 anos de história, a quem eu e muitos outros que estão a ser excluídos do processo deram muitas horas de trabalho suado.
Infelizmente, há quem, pelos vistos, não nos queira no futuro (?) Comércio. Porquê?

Assinado: Pedro Bessa (Ex-quadro do Comércio/editor do Grande Porto e Norte até ao dia da suspensão da publicação do jornal/jornalista há 17 anos)

5 Comments:

  • At 07 setembro, 2005 19:00, Blogger Tiago J. Reis said…

    Onde estava no 31 de Julho?

    Independentemente daquilo que eu acho sobre todo este processo (e a minha opinião pode ser um pouco diferente da que os meus amigos - é triste queestionar uma potencial amizade devido à incoerência - , apenas me questiono onde estava a maior parte das pessoas no dia em que nasceu a ideia da cooperativa... onde estavam as pessoas agora tão indignadas nas reuniões que, durante as primeiras semanas de uma ideia com morte pré-anunciada (inclusive por alguns que agora se assumem como traves mestras da revolta), duraram até às 2 da manhã ou mais. Pelo que eu sei, o processo continua aberto a todos, mas perguntem às pessoas que estão a dinamizar a cooperativa quantos telefonemas de interessados receberam desde a grandiosa reunião nos pedreiros! Perguntem quantas dezenas de contos já se gastaram em telefonemas... Traição ao comércio, meus senhores, cometeram aqueles que no dia em que a alternativa foi apresentada (a 31 de jullho se bem se lembram), disseram que não. Por mim, enquanto colaborador recente, em início de carreira e com a posição mais insegura, - quer no antigo comércio, quer no que poderá vir a nascer (cada vez duvido mais) - sinto que tenho feito tudo o que está ao meu alcance para salvar o comércio. Sim, porque estive lá 5 meses. mas provavelmente dei mais de mim depois da morte do jornal do que muita gente. Deveria estar calado? Talvez sim (afinal, ainda me vêm com oestagiário, certo?), mas há muito que guardo para mim esta agonia de ver pessoas que pouco se interessaram pela cooperativa, de repente, estarem tão motivadas. Consciência? Desespero? Pela minha parte, posso dizer o que sinto para além de uma agonia que, a bem ou mal, liberto agora de algum forma... COnvicção e coerência. Poderão todos dizer o mesmo?

    P.S: quato às reuniões de 5 e de setembro, ao que sei. serviram para apresentar o projecto às cooperativas que pretendem entrar no processo. Seria mesmo necessária a participação de todos os que se mostraram interessados? Levar a mão à consciência não custa tanto assim... e olhem que eu tenho só 23 anos.

    P.S2 - Os amigos que fiz no come´rcio, continuo a tomá-los por amigos. Será traição acreditar em algo? E não me chamem inocente ou idealista. Já o deixei de ser há muito...

     
  • At 07 setembro, 2005 20:17, Blogger Pedro Bessa said…

    A pedido do António Barroso, que neste momento está sem Internet, publico o seguinte comentário:
    “No dia 31 de Julho estava na redacção, onde mostrei as minhas dúvidas sobre a opção cooperativa. Na mesma redacção, e no mesmo momento, onde disse a todos os colegas que me quiseram ouvir que isso era assunto para ser debatido naquele local, e por nós, nos dias subsequentes. Na mesma redacção onde os elementos da comissão dinamizadora se recusaram a estar, meia dúzia de dias depois, para debaterem com os colegas interessados (estávamos lá 50) em saber como corriam as coisas e dispostos a participar nessa tentativa de solução. Não se podem utilizar como argumentos as mentiras que te disseram sobre o nosso desinteresse ou o facto de não terem sido contactados telefónica ou pessoalmente, mas isso é assunto entre ti e os restantes dinamizadores. Como não se pode utilizar como argumento uma desonestidade intelectual como o que “quem à primeira está e quem chegar tarde já não conta”. Explica-me então, independentemente do interesse tardio dos teus colegas, por que razão estão a ser excluídos e discriminados. Tal como te disse há dias, não enfies carapuças que não são para ti, amigo”.
    Assinado por António Barroso

     
  • At 07 setembro, 2005 20:31, Blogger Pedro Bessa said…

    Agora eu... Caro Tiago. Tenho-te em grande consideração pessoal e profissional. Disso não duvides.
    Quanto ao resto devo dizer-te o seguinte. No dia 31 estava na redacção. Nesse mesmo dia não me entusiasmou a solução cooperativa. Poucos dias depois, numa nova reunião e com mais algumas horas de ponderação, estava no jornal mas em reunião com advogados do mesmo. Enquanto isso decorria uma reunião/plenário sobre a cooperativa para a qual não fui avisado, mas que sabia estar a decorrer. Porém, os que ainda estavam a trabalhar (nos serviços administrativos) e os que, como eu, estavam com os advogados do jornal, não puderam participar. Mas, continuei a ir quase diariamente à redacção. No final do mês de Agosto, estive na redacção para participar numa reunião onde esperava ouvir e debater com os dinamizadores da cooperativa, nomeadamente contigo. Tu, como eu, foste ao jornal quase todos os dias. Mas, nesse dia, infelizmente, não apareceste, como não apareceu nenhum dos dinamizadores da cooperativa, apesar de terem conhecimento (pelo menos alguns…) de que iria decorrer a reunião e de que a maioria das pessoas (50!) estavam interessadas em cooperar… Até houve quem viesse a este blog dizer “bora lá debater”, mas depois não aparecesse. Poucos dias depois, graças ao blog e após protestos nossos, soube da reunião nos Pedreiros. Fui lá para poder participar na cooperativa e aprovar os estatutos da mesma. Os estatutos não apareceram…, e pediram para me pré-inscrever de forma a poder participar activamente numa reunião que decorreria “em breve” (palavras do presidente do Sindicato, testemunhadas por dezenas de camaradas). Até hoje…
    Reconheço que fica caro telefonar, mas da mesma maneira que podes (tu e outros) escrever neste blog, também não seria má ideia utilizar o mesmo para divulgar informações sobre a cooperativa. Hoje em dia, há tanta forma de fazer passar a informação e nós até somos profissionais nesse domínio. Mas não. NADA!
    Um abraço!

     
  • At 07 setembro, 2005 22:27, Blogger TAF said…

    Meus caros, sem querer meter a foice em seara alheia, e sendo eu próprio presidente de uma pequena cooperativa, devo dizer que a solução cooperativa não me parece nada adequada para aquilo que pretendem fazer neste caso concreto.

    Não é realista pensar que se vai obter um consenso suficientemente alargado sobre o negócio em causa e sobre o que se pretende fazer dos jornais. Os potenciais cooperantes são pessoas com uma forte vontade e capacidade de intervenção, mas também certamente com significativas diferenças de opinião entre si - sendo isso uma qualidade, torna o processo impossível de gerir nesta forma cooperativa.

    A opção mais sensata é a meu ver uma empresa "convencional" com uma estrutura de poder concentrado, se calhar menos simpática mas viável.

     
  • At 08 setembro, 2005 00:44, Blogger Jorge said…

    sem qualquer sombra de dúvida. essa será a solução. uma para cada título...

     

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