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segunda-feira, setembro 26, 2005

Stª Mª Feira: Confusão no Centro de Saúde de Lobão


Foi a confusão geral, hoje de manhã, entre utentes e funcionários do Posto Médico de Lobão, Santa Maria da Feira, por causa da falta de vagas para consultas. Desta vez não foi preciso a intervenção da GNR mas as funcionárias abandonaram o balcão receando a fúria dos populares.

Texto: Francisco Manuel
Foto: Lume Félix


Pela segunda semana consecutiva, a segunda-feira, à porta do Posto Médico de Lobão, foi tumultuosa, com os utentes a quase se "atropelarem" para conseguir uma das dezoito vagas semanais para consulta. Pouco passava das 8 horas, os ânimos exaltaram-se, e daí até à troca de insultos, entre os populares, e até com as funcionárias, foi um pequeno passo.
Esta é a segunda vez, em duas semanas que a situação se repete, embora desta vez, ao contrário da semana passada, não tenha sido necessária a GNR para restabelecer a ordem.

O problema tem já algum tempo, mas tem-se vindo a agudizar, semana a semana, com os utentes a desesperarem por uma consulta que é sistematicamente adiada. Dos quatro clínicos do Posto Médico, que serve 7 mil utentes, só dois estão efectivamente ao serviço, uma vez que os outros dois se encontram de baixa médica, um, e licença de parto outra.

Armando Cunha é um dos utentes que aguarda por uma consulta "há três semanas". "Todas as semanas venho aqui, mas mandam-me vir na semana seguinte", explica. No entanto, a culpa, segundo este utente que já registou o seu desagrado no Livro Amarelo, também tem de ser assacada "às pessoas que vêm para aqui de madrugada, ganhar a vez que depois vendem a cinco euros". Alcino Santos, também não consegue marcar uma consulta, "apenas para ver os exames que já fiz". Por isso, diz, "é normal que as pessoas até briguem por causa da vez", e "acabamos por ficar uns contra os outros”. Maria do Céu, tem um pace-maker, e precisa de ser vigiada regularmente, mas também ela não tem sorte, tal como Rita Basto, uma reformada diabética, que só quer ter uma receita para levantar os medicamentos na farmácia e uma credencial para fazer análises clínicas.

Nunes Sousa, director do Centro de Saúde de Santa Maria da Feira, admite que por vezes esta "situação é dramática", mas apenas pode garantir a resolução do problema para o "próximo mês de Janeiro". "Para já tudo o que podemos fazer é tentar estabilizar a situação com reforço das equipas médicas", afirma o responsável, sublinhando que também ele tem dado consultas. Diz ainda que já levou o problema à Direcção Regional da Segurança Social de Aveiro, na passada quinta-feira.

Aliás, a falta de pessoal – médicos, enfermeiros e administrativos – podem levar ao encerramento de pelo menos dois dos Postos Médicos do concelho, Vergada e Vila Maior, segundo o responsável. "É uma questão que está em cima da mesa", afiança Nunes Sousa, admitindo que outras extensões de saúde como Romariz, e Vale, podem ficar sem serviços de enfermagem, uma vez que os profissionais que ali estão têm contrato a termo.
Por isso, afirma, "que os utentes estão zangados no local errado".