O Comércio do Porto

Num período em que deixou de haver papel para a tinta correr, os jornalistas e demais trabalhadores de O COMÉRCIO DO PORTO encontram neste espaço a via para o exterior, por forma a manter viva a alma do jornal mais antigo de Portugal continental. Envie as suas mensagens para comercio151@hotmail.com

terça-feira, setembro 13, 2005

S.J. Madeira: Vereador socialista pede ao presidente pudor na campanha

O vereador socialista da Câmara de S. João da Madeira apelou hoje ao presidente da edilidade e também candidato do PSD, para ter algum “pudor” neste período de pré-campanha e evitar aparecer nas inaugurações e outras iniciativas. Castro Almeida não gostou, disse-se ofendido no seu carácter, e deu exemplos de como estava a ter cuidado para não confundir as funções de autarca com a de candidato.

Francisco Manuel



“O Senhor deveria ter algum cuidado e pudor, neste período de pré-campanha, com as inaugurações”, afirmou o vereador da oposição Josias Gil, condenando Castro Almeida por “aparecer nas páginas da imprensa local, umas vezes como presidente da Câmara e outras como candidato do PSD”. O vereador foi mais longe e disse que o edil “não precisava de usar a mestria que todos lhe reconhecem para se propagandear”, ao mesmo tempo que o desafiou a dar “um exemplo que fizesse doutrina na política”.

Castro Almeida, reagiu, admitindo que Josias Gil “não quis magoar, mas magoou, porque isso mexe com o carácter”, e afiançou que não está a facilitar neste capítulo. A título exemplificativo recordou que o boletim municipal, que deveria sair no princípio de Outubro, irá ficar na “gaveta”, “para não fazer propaganda”. Sublinhou, também que na qualidade de presidente da Câmara, “nunca ninguém ouviu uma posição sobre os adversários políticos”.

Admite que em Portugal “muitos políticos têm um comportamento terceiro mundista, mas em S. João da Madeira não”, afiançando que “ninguém vai ver fazer obras até altas horas da noite para terminarem na véspera das eleições”. Castro Almeida, disse mesmo, que uma obra de pavimentação, “que irá ter grande impacto visual e que se fará em poucos dias, não vai avançar antes das eleições para não parecer campanha”. Também a Escola Secundária prevista para a Mourisca, e que já está a concurso, nem sequer uma placa terá antes das eleições. Castro Almeida afirmou ainda que dava todas estas explicações para que o vereador ficasse com “remorsos”.

Na última Reunião Publica do Executivo, o autarca, optou por um discurso oposto ao seu adversário político de 2001, tecendo-lhe rasgados elogios. “A cidade ganhou com a sua participação”, sublinhou.

Perante esta postura Josias Gil procurou corrigir o alcance das suas afirmações, ressalvando que “nunca foi intenção ofender o carácter” do presidente, mas aconselhou-o a “não aparecer pessoalmente em inaugurações ou cerimónias públicas, fazendo-se representar”. Por outro lado elogiou Castro Almeida “por ter cortado com a prática anterior” de Manuel Cambra. Josias Gil entendeu também as palavras elogiosas do presidente da Câmara “como uma condecoração, embora não seja física”, e lembrou que quando assumiu o cargo de vereador da oposição, prometeu “ajudar a governar melhor”, lamentando que “por isso tenha sido criticado e acusado de ser vendido e aliciado”.