O Comércio do Porto

Num período em que deixou de haver papel para a tinta correr, os jornalistas e demais trabalhadores de O COMÉRCIO DO PORTO encontram neste espaço a via para o exterior, por forma a manter viva a alma do jornal mais antigo de Portugal continental. Envie as suas mensagens para comercio151@hotmail.com

sábado, setembro 10, 2005

S.J. Madeira: Candidato do BE à Câmara levanta suspeitas sobre a Câmara



O candidato do Bloco de Esquerda à Câmara de S. João da Madeira acusou ontem à noite o actual Executivo social-democrata de sofrer de “acefalia” e viver para “o show-off” apostando na “megalomania” que definiu de “Castro Almeida’centria”.


Francisco Manuel






Durante o jantar de apresentação dos candidatos à Câmara e à única Junta de Freguesia do concelho, Moisés Ferreira, o mais jovem candidato do país a concorrer a uma Câmara, centrou as críticas no actual Executivo autárquico e no seu presidente Castro Almeida que concorre para o segundo mandato.

A construção, foi o tema escolhido pelo estudante de psicologia de 19 anos, falando na “relação promíscua entre as autarquias e os construtores, onde quem ganha são sempre os partidos do poder e quem perde são os cidadãos que ficam sem espaços verdes”. Moisés Ferreira foi mais longe e deixou no ar mais uma insinuação: “Quem não se lembra do presidente Castro Almeida dizer que é fácil falsificar os orçamentos; isto pode querer dizer muita coisa”.

O candidato à presidência da Câmara do mais pequeno município do país assume o compromisso eleitoral de lutar por uma maior transparência, exigindo auditorias anuais às contas da edilidade e a sua divulgação ao grande público.

O ambiente e o urbanismo vão ser as principais “bandeiras” com que o BE vai acenar ao eleitorado sanjoanense, que quer ver participar directamente na gestão autárquica. O orçamento participativo, e a realização de referendos para questões importantes para a cidade vão ser também as exigências que Moisés Ferreira garante fazer na vereação da Câmara, caso mereça a confiança do eleitorado. Como exemplo deu a recente adesão do concelho à Grande Área Metropolitana do Porto, “sem que a população não fosse nem tida nem achada”.

Sabendo que entrou “numa dura batalha”, até porque “neste quatro anos a Câmara promoveu-se através da megalomania e saltos para a frente das fotografias”, comparou a sua candidatura à coca-cola: “Primeiro estranha-se, depois entranha-se”.

Esta apresentação foi “apadrinhada” por João Teixeira Lopes, que se insurgiu contra “os predadores, corrupção, e compadrios” que “estão a manietar o poder local”, vetando “a cidadania e transparência”. Teixeira Lopes desafiou também os actuais e futuros autarcas a “travar a construção”, advertindo que quem o fizer “vai ter de enfrentar os ‘patos bravos’ que controlam o território”.

“É preciso travar a gula dos interesses imobiliários”, enfatizou, antes de questionar “como seria S. João da Madeira se o BE tivesse uma voz”, deixando como garantia que “o Bloco não será a voz que falta, mas será a voz que fará a diferença”.