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quinta-feira, setembro 15, 2005

Jerónimo diz que sondagem TVI é um estudo

Jerónimo de Sousa desvalorizou hoje os resultados das sondagens da TVI que lhe davam o último lugar na “corrida” a Belém, atrás de Francisco Louçã do Bloco de Esquerda.

Francisco Manuel

“O comentário é o mesmo que quando há poucos dias davam a minha candidatura com 11, ou 12 por cento”, afirmou o candidato comunista à sucessão de Jorge Sampaio, à margem de uma iniciativa de apoio aos candidatos da CDU, às autárquicas, no distrito de Aveiro. Jerónimo de Sousa, não quer pôr em causa o rigor, mas não deixou de classificar a sondagem,que lhe atribui apenas 4,3 por cento das intenções de voto, como “uma amostra de consulta a 725 pessoas”.

Afirma ainda que “é tudo muito prematuro, porque esses mesmos resultados, tanto os que nos dão um resultado positivo, como as que dão resultado negativo, são muito prematuros”, alegando que “há muita coisa, ainda, durante estes quatro ou cinco meses, que tendem a alterar, com o debate e a clarificação das candidaturas”.

“Eu diria que não é uma sondagem, é quase um estudo, um ponto de arranque, mas sem rigor”, insistiu, convicto que “de certeza vai ser alterado quando nos aproximar-mos da campanha e do seu desfecho”.

Discutir referendo do aborto é um “esquema” do PS

Jerónimo de Sousa considerou que a proposta do PS de levar, novamente, à discussão da Assembleia da República a realização do referendo sobre o aborto, “um esquema, no mínimo caricato”. O líder comunista ressalva que a sessão legislativa “não começa agora, e que tendo em conta os pressupostos constitucionais, e legais (esta proposta já foi à discussão em S. Bento e foi vetada pelo presidente da República posteriormente)”.

Segundo Jerónimo de Sousa, “mais uma vez o partido socialista chuta para cima, através de um método bastante questionável, de conduzir um processo, deixando que seja o Presidente da República a decidir sobre um referendo, quando o próprio primeiro-ministro afirma que há um largo consenso nesta matéria”. Jerónimo de Sousa, quer, por isso, que a despenalização do aborto seja concretizada pela Assembleia da República, sem recorrer a referendo, porque, diz, “existe uma larguíssima maioria para concretizar este objectivo”, argumentando que toda a esquerda votaria favoravelmente.

Legislativas são para acreditar num futuro melhor

Em S. João da Madeira Jerónimo de Sousa disse aos trabalhadores e trabalhadoras da fábrica de camisas Califa, que as legislativas servem para continuar a acreditar que é possível um futuro melhor.

“Agora estamos em vésperas de eleições, e quando fazemos apelo ao voto na CDU é para vos dar a garantia que, quer seja numa Junta de Freguesia, numa Câmara, ou numa Assembleia Municipal, a CDU em maioria, ou minoria, nunca baixará os braços para continuar a acreditar que é possível um futuro melhor, neste concelho e neste distrito”, afirmou o líder comunista. Jerónimo de Sousa garantiu, também, que “o voto na CDU é um voto que conta a dobrar, porque é o voto que não mente e não trai”.

À margem desta intervenção, Jerónimo de Sousa, recordou que esta foi uma empresa onde a luta dos trabalhadores e trabalhadoras foi importante para viabilizar esta empresa que esteve à beira de fechar as portas. “Foi uma luta dura e longa que teve uma solidariedade do movimento sindical, mas também da CDU”, enfatizou.

Ao líder do PCP, as trabalhadoras manifestaram as suas preocupações, em particular com o aumento da idade da reforma, que Jerónimo de Sousa considerou “uma preocupação real”, questionando como é “possível estas mulheres continuarem a trabalhar até aos 68, ou 70 anos”, alegando que estar “sentado com uma máquina na mão, não é estar sentado na Assembleia da República”.

Também o candidato à presidência da Câmara de S. João da Madeira, Fernando Brandão, se dirigiu às trabalhadoras, num discurso, muito breve, para lhes dizer que estava ao lado delas, deixando a garantia que não faria nada na cidade “sem ouvir os sanjoanenses”.