O Comércio do Porto

Num período em que deixou de haver papel para a tinta correr, os jornalistas e demais trabalhadores de O COMÉRCIO DO PORTO encontram neste espaço a via para o exterior, por forma a manter viva a alma do jornal mais antigo de Portugal continental. Envie as suas mensagens para comercio151@hotmail.com

sexta-feira, setembro 16, 2005

Continuando o debate

Tenho andado a pensar (nem queria começar assim, posso ser já acusado por uma série de anónimos por ser banal a escrever ou por ter feito algo que os mesmos consideram que não consigo fazer!) se devia voltar a escrever sobre o pós-COMÉRCIO tal como o vivemos.
Primeiro as dúvidas que me retraíram: comecei a achar inconsequente continuar um debate, por muito duro e nada sereno que fosse, quando do "lado de lá" poucos debateram comigo a questão levantada por um processo pouco claro de uma cooperativa que se assume como sendo dos ex-trabalhadores do CP mas que exclui 90 por cento dos mesmos do debate, do processo e da fundação. Na realidade, limitei-me a ouvir - à louvável excepção do José Carlos Gomes, que argumentou a sua posição - um chorrilho de insultos e frustrações fragmentadas de uma série de incógnitos facilmente reconhecíveis sobre o quanto me detestavam, ao Pedro Bessa e ao Rogério Gomes. Confesso, fiquei surpreendido, nunca mo tinham dito na cara... De todos, o que melhor me pareceu foi o de terrorista. Ora, atendendo às circunstâncias e ao futuro, até me parece enquadrável. Vai depender da minha disposição na altura... O mais risível foi o de "à rasca", como quem diz: este moço perdeu o emprego e o cargo e agora não sabe como resolver o seu futuro. Risível, de facto! Mas do seu umbigo cada um trata...

Deixando de lado as questões pessoais que quase me desmotivaram do debate, reabro a conversa. Já lá vai mais de mês e meio desde a interrupção do COMÉRCIO DO PORTO. Continuo a achar que o futuro do jornal passará pela compra do mesmo por um grupo de comunicação social, cuja capacidade e conhecimento de gestão da matéria tranquilize todos os envolvidos no projecto: os seus (futuros) trabalhadores, o seu respeitável património histórico e os seus leitores, ao que está subjacente um critério editorial regional. Mas não um regional conforme aquele que os menos intervenientes no processo de edição de um jornal pressupõem. Um jornal regional não deve ser um monte de folhas com uma série de notícias da nossa rua aos limites da região. Bem pelo contrário.
O que estávamos a construir no COMÉRCIO DO PORTO era um diário que dava mais importância ao que se passava na região, mas também ao que os agentes sócio-económicos da mesma região pensam, debatem e argumentam sobre toda e qualquer matéria. Se toda a gente sabe o que é compilar noticiário sobre os acontecimentos num espaço delimitado, já a nossa mais-valia era (continuará a ser?) a importância com que registávamos os comentários e o debate sobre as questões nacionais e sociais pelas gentes do Norte. O nosso projecto de noticiário regional era, sobretudo, dar voz ao Norte sobre praticamente tudo. No fundo, tratar a mesma matéria de referência para qualquer audiência mas com protagonistas diferentes (sem fugir aos óbvios), os da nossa região. Linearmente, este é o projecto que acredito ter futuro em termos de investimento e comercialização, seja com o regresso do COMÉRCIO ou sendo aposta de um qualquer outro periódico.

4 Comments:

  • At 17 setembro, 2005 01:00, Blogger TAF said…

    O mau ambiente em volta da cooperativa resultou da ingenuidade de terem pensado que seria viável uma gestão do jornal feita pelos seus trabalhadores. Não é.
    Por isso, a eventual futura cooperativa é apenas mais uma entidade interessada em ter um jornal, tal como qualquer outro investidor no ramo.
    Abraço!

     
  • At 18 setembro, 2005 11:57, Blogger © CAMERAMAN METALICO said…

    A gestão de um jornal não pode ser feita pelos seus trabalhadores? Hum...
    Todas as cooperativas deste país dão prejuizo e andam à deriva...
    Não me parece!
    Abraços aqui da Capital

     
  • At 18 setembro, 2005 22:26, Blogger TAF said…

    Caro camaraman

    O que eu escrevi é que a gestão DESTE JORNAL feita por ESTES TRABALHADORES não é viável. Não falei das cooperativas em geral, e há excelentes exemplos de cooperativas que funcionam bem.
    Saudações!

     
  • At 25 setembro, 2005 17:14, Blogger filinto said…

    em semi-anonimato permitam-me estas dicas:
    1- pensem na razão de o comércio não ter funcionado (e ter fechado), este comércio que o barroso fala com tanto apreço
    2- pensem na razão de essas "forças vivas" da região terem esgotado a edição no dia de fecho, mas não uma semana antes, duas semanas antes
    3- pensem como podem fazer o mesmo com menos (pessoas, burocracia, tinta, papel...)
    4- pensem que as pessoas da região, genericamente, querem do seu jornal o mesmo que as pessoas de todas as regiões do mundo (a notícia da política ou da economia até pode falhar, o Sudoku é que não)...
    antes de estes pontos estarem esclarecidos, todos os modelos de gestão serão (mais) falíveis.
    Aquele abraço amigo para uns e solidário para todos.

     

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