O Comércio do Porto

Num período em que deixou de haver papel para a tinta correr, os jornalistas e demais trabalhadores de O COMÉRCIO DO PORTO encontram neste espaço a via para o exterior, por forma a manter viva a alma do jornal mais antigo de Portugal continental. Envie as suas mensagens para comercio151@hotmail.com

terça-feira, agosto 02, 2005

Um sindicato neo-liberalista

Calaram o papel, mas os profissionais nunca. Pela enésima vez vos digo: Canetas ao alto, que a tinta vai escorrer.
Mataram um título, mas não nos mataram a nós. Nem mesmo o sindicato.
Sim o sindicato. Porque é a segunda vez na minha carreira que preciso dele, e ele não está lá. Agora, mais uma vez não esteve. Esteve, e bem, ao lado de quem estava na redacção. Mas esqueceu-se dos burros dos correspondentes, paus para toda a colher, sem horas, sem nada, muitas sem sequer direito a vida privada. O telefone tocava e nós, burros, toca a interromper tudo o que estávamos a fazer, deixávamos a família, os amigos, tudo. E o que faz o sindicato? Inclui nas conversações todo o pessoal da redacção, incluindo os recibos verdes (e volto a referir MUITO BEM, outra coisa não seria de esperar), mas esqueceu-se de quem trabalhava sete dias por semana, 12 a 16 horas por dia. Vocês, camaradas de redacção sabem que é assim. Pois é, mas nós, os burros, que conseguíamos grandes manchetes, grandes cachas, fomos esquecidos, por um sindicato burocrático, enfadonho, e engravatado, à imagem do neo-liberalismo dos grandes monopólios.SAIMOS SEM UM TUSTO. A Prensa Ibérica agradece, porque poupa mais uns cobres.
Trabalhavamos 12 meses por ano. O décimo terceiro, era uma miragem. O subsídio de férias, uma utopia. Mas, nunca reclamamos, sabiamos que era esta a regra do jogo, pelo menos durante algum tempo, porque a entrada para os quadros estava sempre em cima da mesa, quando falavamos com os chefes.
Eu, e outros, por exemplo o Lume Felix, dependiamos fianceiramente do COMÈRCIO. Era a minha principal ocupação laboral. Algumas colaborações, esporádicas com a imprensa regional compunha o nosso ordenado, que era fixo. Não era à peça. cumpriamos ordens da redacção. Tinhamos agenda. pagavamos as deslocações e telecomunicações do nosso bolso. Agora estamos no desenprego, pelo menos no meu caso, e sem direito a qualquer indemnização. É esta a justiça social defendida pelo sindicato?
Nem me falem em quotas atrasadas, porque de mim, nem mais tusto. É que eu trabalho; ando todos os dias no terreno, no meio das tragédias, do fogo, e da luta dos trabalhadores. Eu não faço notícias pelas agências, nem pelo telefone, e por isso a cada notícia posso dizer: eu estive lá, eu vi.
E o sindicato vê o quê?
Fico-me por aqui.

3 Comments:

  • At 02 agosto, 2005 23:41, Blogger 2Air said…

    Até que enfim que encontro alguém que diz exactamente o que eu ando a dizer há uns tempos mesmo sendo olhado de lado.
    Já deixei de ser sindicalizado há uns bons anos exactamente porque quando foi preciso o sindicato não estava lá, e porquê? Porque era uma rádio demasiado pequena para ser mediática, demasiado insignificante para fazer os senhores sindicalistas brilharem.
    Enquanto os dirigentes sindicais forem sempre os mesmos, nunca me apanharão lá. Venha de lá essa Ordem!

    Miguel Ribeiro

     
  • At 03 agosto, 2005 01:55, Blogger O Susanense said…

    Também eu sou correspondente, também o Comércio era a minha principal
    fonte de subsistência, também eu sei o que é trabalhar sem horários e
    sem folgas pré-definidas, gastando comunicações e parte dos
    transportes do meu bolso. Também eu sairei do jornal sem um tostão,
    acho eu, pois nem um dos famosos e-mails da administração eu recebi.
    No entanto, estas são as regras do jogo, as leis do País. Também estou
    revoltado e triste com tudo isto, mas não culpo o sindicato de nada.
    Aliás, parece-me que o sindicato e o seu presidente, Alfredo Maia, têm
    sido inexcedíveis no apoio que nos têm dado. Pelo menos, pelo que me é
    dado a observar.

    José Carlos Gomes

     
  • At 03 agosto, 2005 08:59, Blogger Ivone Marques said…

    Assino por baixo.

     

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