O Comércio do Porto

Num período em que deixou de haver papel para a tinta correr, os jornalistas e demais trabalhadores de O COMÉRCIO DO PORTO encontram neste espaço a via para o exterior, por forma a manter viva a alma do jornal mais antigo de Portugal continental. Envie as suas mensagens para comercio151@hotmail.com

quarta-feira, agosto 03, 2005

Tributo pel"O Comércio do Porto"

É estranho e ao mesmo tempo um sinal desta sofreguidão competitiva e desmazelo pelos valores de um grande jornal de índole regional. É impossível que termine, assim, de repente. Uma empresa quando está para rodar a fechadura derradeira não expele de uma vez por todas os funcionários. É uma decisão paulatina. Com despedimentos vagarosos, que indiciem uma crise anunciada. Há anos que os rumores falavam de uma crise. Mas, foi tudo muito rápido. Está a ser tudo demasiado "limpo" e a cumprir um "pro forma" que não existe em Portugal. Não existe em lado nenhum!
 
O Comércio é um jornal peculiar, como todos os grandes jornais. Para além dos excelentes profissionais que tem é uma grande escola de jornalismo e onde se aprende a domar algumas feras. Ele é especial. Incisivo. Tem uma particularidade de equipa que a maior parte das redacções já esqueceram: a reunião diária de agenda, de jornalistas.

Aqui aprendi muito e ensaiei os primeiros passos para um amor que se revelou cedo difícil. Mas mesmo assim não desalentei com os sacrifícios, as horas a mais a trabalhar, os muitos serviços que me marcavam para além das voltas para os casos do dia (ali leva-se mesmo a sério esta informação!). Aprendi que afinal teria de engolir muitos sapos (para toda a vida, mas sem nunca expressar o sapo que me entalava). Passei por aquela casa durante cinco meses. Muito trabalho. Muita aprendizagem! Foi alucinante! Foi bom! Passei as minhas férias de Verão a ir à polícia, a sair em reportagem, a propor trabalhos! No final, fiquei com uma nostalgia incrível e com a certeza de que a imprensa tinha outro sabor.
 
Saboreei a antiga redacção, onde a agenda era um cubículo bem ao fundo da sala e o sol inundava os "macintosh" multicolores. Foi no Comércio que a minha base se fundou. Onde aprendi mais para ter a bagagem que hoje tenho. Onde sedimentei raízes para hoje colher e continuar a aprender. Foi lá que percebi o que era fazer manchete! Foi lá que escrevi sobre tudo!

Todas as redacções têm um cheiro especial e a do Comércio cheira a fresco, a mudança mas ao mesmo tempo a força, a coragem. Estou triste, contudo simultaneamente desejosa de que todos aqueles que fazem o Comércio não desalentem e continuem a dar cartas do excelente profissionalismo! Quero voltar a vê-lo nas bancas, nos quiosques, onde desde Domingo há um vazio por preencher!
 
Vanessa Rodrigues
 
www.divadeinsonia.blogspot.com
 

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