O Comércio do Porto

Num período em que deixou de haver papel para a tinta correr, os jornalistas e demais trabalhadores de O COMÉRCIO DO PORTO encontram neste espaço a via para o exterior, por forma a manter viva a alma do jornal mais antigo de Portugal continental. Envie as suas mensagens para comercio151@hotmail.com

terça-feira, agosto 02, 2005

Tenho orgulho nos Jornalistas do «Comércio»

O Comércio do Porto despediu-se dos leitores, dos portugueses e de todos os que para contar até 12 não precisam de se descalçar, com um "até à próxima!". Espero que a próxima seja já amanhã, ou uma manhã destas. Fico, no entanto, com a certeza de que os jornais que queiram garantir a sobrevivência não devem ser feitos por Jornalistas mas, vejam-se os exemplos que nos rodeiam, por produtores de conteúdos.

Os Jornalistas pensam, os produtores de conteúdos, não. E no comércio de jornalismo só interessam os que não pensam. Os que entendem que quem não vive para servir não serve para viver não têm lugar num negócio em que, de facto, vale tudo.

"O Comércio do Porto não acaba em definitivo", frisou o seu director, Rogério Gomes, num editorial intitulado "Até à próxima", a mesma expressão usada na manchete. Assim espero, mau grado saber que não é fácil quando se luta num meio, jornalístico, empresarial e político, em que prolifera o primado da subserviência em vez do primado da competência.

"Confio que o mais antigo jornal do Continente ressurgirá em breve e continuará o seu papel insubstituível de voz da Região Norte", escreve ainda Rogério Gomes, contrariando “A Capital” que assumiu ser o “Fim”.

É "mais um duro golpe na perda de influência do Porto no panorama nacional da comunicação social e até mesmo da vida económica", sublinhou o líder do PS/Porto e candidato à Câmara local, Francisco Assis. Tem razão. Mas não basta tê-la. O que fez o PS, que por sinal está no Governo? Nesta matéria, como em tantas outras, limitou-se a valorizar a subserviência em detrimento da competência.

Por sua vez, a Direcção da Organização Regional do Porto do PCP (DORP) manifestou "total disponibilidade para participar num movimento cívico em defesa desta publicação, contrariando a sua subtracção à vida social e cultural do Porto". Pois. Mas não basta. Entre a disponibilidade e a acção vai uma grande distância.

Por seu lado, o deputado do Bloco de Esquerda João Teixeira Lopes chamou à empresa proprietária dos jornais, a Prensa Ibérica, "investidores-predadores". Esqueceu-se de dizer que a culpa é de quem forneceu a corda que agora a Prensa Ibérica utiliza para enforcar os trabalhadores. E quem a forneceu fomos todos nós.

Também o presidente Distrital do PSD/Porto, Marco António Costa, emitiu um comunicado manifestando "preocupação" pela suspensão do jornal que - disse - "tem desempenhado um papel importante na sociedade civil nortenha". Pois. E o que fez o PSD para evitar a situação?

Ainda na área social-democrata, o presidente da Câmara de Gaia, Luís Filipe Menezes, apelou à Junta Metropolitana do Porto para estudar uma solução que garanta a sobrevivência do matutino O Comércio do Porto. Talvez seja uma solução. Falta é saber se amanhã o autarca de Gaia ainda se lembra do que disse hoje.

Por último, deixem-me dizer aos meus colegas que não se é Jornalista 7 horas por dia a uns tantos euros por mês. É-se Jornalista 24 horas por dia mesmo estando desempregado. No entanto, se quiserem deixar de ser Jornalistas e enveredar pela carreira de produtores de conteúdos poderão já amanhã ter emprego.
 
Enviado por Orlando Castro (Jornalista)