O Comércio do Porto

Num período em que deixou de haver papel para a tinta correr, os jornalistas e demais trabalhadores de O COMÉRCIO DO PORTO encontram neste espaço a via para o exterior, por forma a manter viva a alma do jornal mais antigo de Portugal continental. Envie as suas mensagens para comercio151@hotmail.com

terça-feira, agosto 09, 2005













A solidariedade dos camaradas dos jornais regionais. Acabo de ler a nota, que a seguir se transcreve, do director Manuel Cruz do Jornal dos Carvalhos (edição de 15 de Agosto de 2005). Em meu nome e de todos os "bravos do pelotão"um abraço.

Volta depressa, meu "Comércio"
Estas notas são escritas no primeiro dia em que não tive, a meu lado, “O Comércio do Porto”.
E ainda me não considero refeito do rude golpe de ver parar o velho matutino que ao longo de 151 anos soube marcar a diferença na imprensa portuguesa e estava a retomar, pensava eu, um dos lugares cimeiros dos diários nacionais.
Os tempos que correm ditam estas sentenças e pouco ou nada há a fazer contra elas.
Mas no caso de “O Comércio do Porto” não haverá mesmo solução? Onde está o bairrismo das gentes tripeiras, das suas instituições, dos seus homens de bem e de bens?
Ver desaparecer “O Comércio do Porto” é, em minha opinião, mais uma enorme machadada na história da cidade e até da região.
Menino e moço era o jornal que entrava em casa dos meus avós; aliás, meu avô foi, ao tempo, seu correspondente local; ainda para mais, comecei a trabalhar, já lá vão mais de cinquenta anos, na rua que tem o nome de Rua do Comércio do Porto, bem perto da zona ribeirinha da cidade; meu tio contava-me que sabia de véspera muitas das notícias, pois como dormia durante a semana, numa sala do escritório, se entretinha a ouvir as conversas telefónicas trocadas entre os redactores e os correspondentes e que, muitas vezes, havia entrado na sala da composição onde autênticos mestres faziam as placas com caracteres de chumbo.
Também desde jovem para “O Comércio do Porto” enviei alguns apontamentos. Foi nele que iniciei, mesmo, este vício da escrita.
Eu queria que o título “Até à próxima” da última edição de 30 de Julho fosse verdade e que esta “próxima” pudesse ser já amanhã!
Se para salvar o Coliseu do Porto tudo se fez e se conseguiu, não será possível encontrar-se solução para “O Comércio do Porto”!
A todos quantos estiveram até esta data ao serviço de “O Comércio do Porto” a minha solidariedade e a minha disponibilidade total, ainda que de pouco valor mas de muita verdade, para o que puder fazer na ressurreição do meu Jornal.
Um abraço especial ao meu amigo José Vinha, à Marlene Silva que me acompanhou nas sessões da Assembleia Municipal de Gaia, enfim a todos!
Volta depressa, meu “Comércio”!
Manuel Cruz

1 Comments:

  • At 12 agosto, 2005 18:23, Blogger Marlene Silva said…

    No meio desta confusão toda e da desilusão de ver desaparecer (espero que temporariamente) o também meu Comércio, lembrei-me de si... De quando chegava à Assembleia e me dizia e o primeiro jornal que lia era o JN para ver a Necrologia, mas as notícias eram as do Comércio que lhe interessavam... Pensei que como o senhor muitos leitores perderam um amigo que lhe ia contando as novidades do dia... Eu sentia-me uma sua amiga porque, de vez em quando, era eu que lhe dava essas novidades... Espero que continuemos a encontrar-nos. Beijinhos

     

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