O Comércio do Porto

Num período em que deixou de haver papel para a tinta correr, os jornalistas e demais trabalhadores de O COMÉRCIO DO PORTO encontram neste espaço a via para o exterior, por forma a manter viva a alma do jornal mais antigo de Portugal continental. Envie as suas mensagens para comercio151@hotmail.com

segunda-feira, agosto 08, 2005

Sem ter para onde voltar...

Estava já em contagem decrescente dos dias que me faltavam para regressar ao trabalho quando a notícia do encerramento do "Comércio do Porto" me apunhalou sem aviso prévio. A última semana antes da suspensão do jornal foi de angústia, revolta, mas também de esperança. De esperança de que tudo não passasse de um susto sem fundamento.
Contudo, o dia 29 de Julho revelou-se mesmo uma sexta-feira negra para mim, para todos os meus colegas e para a sociedade nortenha que perdeu o seu jornal e viu fechar o título mais antigo de Portugal continental.
Não sei vos explicar o que senti, ou melhor, o que ainda sinto. É uma sensação estranha. Razão pela qual só agora vos escrevo. Pois há medida que o tempo se esgota é que vou tomando consciência da realidade.
Há cerca de seis meses que estava ausente desta minha "casa". Quis aproveitar o máximo de tempo possível para estar do lado do meu filho que nasceu a 9 de Fevereiro. Afinal, milagres como esse batem-nos poucas vezes à porta. Estava longe daqui, mas sempre me senti segura, pois sabia que tinha para onde voltar. Tinha o meu lugar à espera, as minhas páginas para organizar e as notícias para escrever.
As saudades do meu trabalho já eram enormes e a cada dia que passava estava mais próxima do regresso ao "Comércio do Porto". Agora... agora estou despejada do lar e as saudades são cada vez maiores. Ando envolta num sentimento de revolta e prestes a explodir, pois em vez de matar as saudades vi-me obrigada a abafá-las.
O dia 16 de Agosto nunca mais vai chegar... estou sem ter para onde voltar.
Desculpem-me o texto confuso e as palavras soltas, mas é assim que me sinto - perdida no espaço, desorientada no tempo.
Antes de sair de licença de parto queixava-me do cansaço, de algumas injustiças dos colegas, ansiava por umas merecidas "férias". Mas nunca pensei que naquela altura já estava a dizer adeus camaradas. Afinal, uma família é assim mesmo: tem os seus desentendimentos mas não deixa de estar unida e de ser um "bem" insubstituível.
O texto já vai longo, por isso me despeço. Mas recuso-me a dizer até sempre. Até já amigos...

Mónica Monteiro