O Comércio do Porto

Num período em que deixou de haver papel para a tinta correr, os jornalistas e demais trabalhadores de O COMÉRCIO DO PORTO encontram neste espaço a via para o exterior, por forma a manter viva a alma do jornal mais antigo de Portugal continental. Envie as suas mensagens para comercio151@hotmail.com

quarta-feira, agosto 24, 2005

Rancho de Abragão encantou a Flandres


Enviado especial do blogue à Flandres
José Vinha


O Rancho Folclórico do Centro Social e Cultural de Abragão terminou a digressão por terras belgas. Além de participar no 31º Festival Internacional de Bonheiden (uma pequena cidade de cerca de15 mil habitantes situada a 25 quilómetros de Antuérpia), o rancho penafidelense deu uma lição de civismo pela forma ordeira como se comportou durante uma semana; e estabeleceu laços de amizade com os flamengos - um dos dois grupos étnicos que habita a metade norte da Bélgica, na Flandres.
Há 31 anos que este festival internacional de folclore é organizado pela Associação De Krekels, de Bonheiden. Desta vez, uma tenda gigante cobriu um palco multicultural por onde desfilaram, além dos portugueses, La Compania Argentina de Danzas (Santa Fé, Argentina), Conjunto Artístico Maraguan (Camaguey, Cuba), Djembe Rythm (Dakar, Senegal), Association for You, Folk, Art&Sport (Brno, Rep.Checa) e Volkskunstgoep De Krekels vzw (Bonheiden/ Vlaanderen).
O presidente da associação local e promotor deste evento, Waklter Casteels, sublinhou que dois anos após a formação do grupo de Bonheiden, estes foram convidados a participar num festival internacional na Irlanda e desde aí que deitaram mãos à obra.
“Este tipo de festivais permite aos nossos jovens flamengos o intercâmbio entre países, culturas, costumes e religiões diferentes. Achamos que vale a pena e todos os anos, por esta altura, empenhamos a comunidade local neste evento”, sublinhou Waklter Casteels,.
Sobre o grupo de Abragão, Penafiel, o dirigente associativo afirma que, ao contrário do folclore belga “triste e sem emoção”, as danças e cantares dos portugueses “são portadoras de vivências sociais e culturais únicas”.
“O folclore do Norte de Portugal é vivo e envolve gerações diferentes: velhos a crianças. No palco, o grupo mostra o dia a dia dos portugueses que habitam zonas rurais. É um folclore muito bonito de um povo quente, porque os portugueses são quentes e simpáticos”, concluiu.
Durante os dias em que permaneceram em Bonheiden, as 39 pessoas do grupo de Abragão foram entregues a várias famílias de acolhimento que voluntariamente quiseram oferecer abrigo. O facto de algumas pessoas, sobretudo as mais velhas, não dominarem a língua francesa nem o neerlandês, não impediu que se estabelecessem laços de amizades entre estrangeiros e nacionais. O gesto, o sorriso e a alma do Norte de Portugal tornaram-se o meio de comunicação por excelência. (Próximo post “Os meus papás estrangeiros”).