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sábado, agosto 20, 2005

Oliveira de Azeméis chorou morte de bombeiros

Francisco Manuel

Foram hoje a enterrar os dois bombeiros de Oliveira de Azeméis falecidos na passada quinta-feira. O adjunto de comando Pedro Miguel Figueiredo, engenheiro aeronáutico, de 34 anos, e Carlos Severino, de 22 anos, não resistiram aos ferimentos de um acidente de viação ocorrido no passado dia 12 quando iam combater um incêndio. Bruno Santos, o condutor de 24 anos teve morte imediata.

Num ambiente de consternação e pesar, foram mais de dois milhares as pessoas que acompanharam as exéquias destes dois soldados da paz que morreram no cumprimento da missão que escolheram para a sua vida, que não merecia tão trágico fim. A sirene ecoou no ar o choro de toda uma corporação que assinala, tristemente o ano do centenário da sua fundação. Nos rostos, as lágrimas escorriam, ora silenciosas, ora acompanhadas de gritos de revolta dos familiares: “Assassinos, Assassinos”, ouvia-se, entre a multidão silenciosa. Uma clara revolta contra todos aqueles que impunemente continuam a atear fogo à nossa floresta, obrigando bombeiros e populações a uma guerra sem quartel, contra o “demónio” vestido de fogo, que para além dos bens, lhes leva muitas vezes a vida.
Bruno Santos, Carlos Severino e Pedro Figueiredo, eram três jovens, que assumiram a tão difícil, quanto nobre, e muitas vezes não reconhecida, missão de dar “vida por vida”. Pela terceira vez naquele dia fatídico, dirigiam-se para o Lugar de Nespereira, na Freguesia de Palmaz, quando o Land Rover Defender, em que seguiam, partiu uma jante, capotou, provocando a morte imediata do condutor. Carlos e Pedro, durante seis dias tentaram resistir aos ferimentos, numa luta desigual e desumana que terminou na passada quinta-feira à tarde. Choram os bombeiros, chora o concelho e chora quem por força da profissão ao longo de vários anos acompanha o trabalho dos soldados da paz.

Peço desculpa por este ser um artigo mais opiniativo, que jornalístico, mas é impossível ficar indiferente à morte de qualquer bombeiro. Muito mais difícil, se torna, quando falamos de um amigo.
Pedro parte o teu corpo, fica perpetuada na minha memória o teu exemplo, como homem, e como amigo.

1 Comments:

  • At 21 agosto, 2005 07:48, Blogger Censurado said…

    que hajam mais pessoas como estas, que contra aquelas que apenas procuram lucro e negócio na tristeza dos outros lutam...

    não há direito.. :(

     

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