O Comércio do Porto

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sexta-feira, agosto 05, 2005

O ursinho

A Patrícia ganhou hoje um ursinho pequenino, que teve a lata de pedir a um pai de (quase) duas filhas. "Podias-me dar este ursinho", pediu ela, e ele que sim, está bem, não se deve contrariar um recém-desempregado, sobretudo quando esse recém-desempregado é a Patrícia. Sim, teremos sempre este dilema: eu acho que ela tem feitio difícil, ela acha que o meu feitio é muito pior. E até tem razão. Nas alturas mais difíceis, a Patrícia consegue sorrir, rir, mandar piadas, mandar a boca que eu gostava de ter dito, excepto quando ela me manda a boca a mim, claro.

Estamos aqui as duas sentadas à espera não sei de quê (quer dizer, eu estou à espera que o advogado regresse do almoço... sim, confirma-se, são quase cinco da tarde...) e a Patrícia não larga o ursinho, põe o ursinho a tentar meter conversa comigo, eu olho para ela e sorrio, depois fico aqui com estes olhos de Lia... não são de lua, como os da Lígia, são mesmo de Lia, fiquei hoje a saber que Lia quer dizer "olhos tristes e cansados"...

Por mais que me digam "vais ver que corre tudo bem" eu não consigo deixar estes olhos, que acho que andam, por estes dias, tão cansados que nem tristes conseguem estar. Estou a cinco dias de fazer 28 anos e ninguém me deu um ursinho, embora o pai de (quase) duas filhas me tenha pago o café e a dora esteja a preparar um cestinho para me dar.

A Patrícia acha que está a ficar louca e eu também, mas ela acabou de se levantar para atender um telefone que não estava a tocar, portanto se calhar está um bocadinho pior.

E pronto, acabou esta prosa sobre nada e coisa nenhuma.

Ana Cristina Gomes

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