O Comércio do Porto

Num período em que deixou de haver papel para a tinta correr, os jornalistas e demais trabalhadores de O COMÉRCIO DO PORTO encontram neste espaço a via para o exterior, por forma a manter viva a alma do jornal mais antigo de Portugal continental. Envie as suas mensagens para comercio151@hotmail.com

sexta-feira, agosto 05, 2005

O que fica por dizer

Não me fiz jornalista no COMÉRCIO nem aprendi a ler nas suas páginas. Foi no Janeiro que me iniciei na profissão já lá vão quase 10 anos, e foi no Notícias que, aos 5 anos, juntei as primeiras palavras. Isto para dizer que não é sentimentalismo o que hoje me leva a questionar o fim deste jornal, embora não falte sentimento neste adeus forçado.
O que custa, enquanto leitora de jornais e nem tanto como jornalista, é ver desaparecer um título que, após um longo período de verdadeira travessia do deserto, começava a erguer-se e demonstrava já grande vigor. O vigor de histórias, ou estórias, bem contadas. A força do jornalismo de investigação, sem receio de ser interventivo, mesmo quando, por inveja ou por outras razões esconsas, o apelidavam de vendido ou partidário.
A capacidade de pegar num assunto e de o esmiuçar, e de não o deixar morrer enquanto suscitasse novas opiniões. Era isto que eu via no novo COMÉRCIO, uma força que se impôs como a imagem de marca do novo cabeçalho - aquele que, eu própria, tanto critiquei!
Por isso me custa hoje, com a objectividade possível que me confere o título de leitora de jornais, procurá-lo nos escaparates e não o encontrar.
Enquanto jornalista, o que dói mesmo são as palavras que ficaram por dizer. Porque não é apenas a minha voz que se cala, são todas aquelas que falavam através de mim, de nós, das páginas do nosso jornal.
São essas vozes, as mais tímidas, as mais fracas, as mais frágeis, que ficam caladas quando se fecham as portas à liberdade de expressão.