O Comércio do Porto

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quarta-feira, agosto 03, 2005

O futuro do COMÉRCIO...ou não

Transcrevemos, aqui, duas notícias sobre o COMÉRCIO DO PORTO, da Agência Lusa:

O administrador do canal regional Invicta TV, Vítor Fernandes, revelou hoje à agência Lusa que vai apresentar quinta-feira ao grupo Prensa Ibérica uma nova proposta para adquirir o jornal O Comércio do Porto.

"Temos agendada para quinta-feira uma nova reunião com o representante da Prensa Ibérica em Portugal, António Matos, onde iremos apresentar uma nova proposta, concreta e sólida, para a aquisição de O Comércio do Porto", afirmou o gestor.

O empresário, que é o responsável máximo da empresa luso- americana Finanzza Investments, já tinha avançado com uma proposta de compra do título portuense, tendo acusado na semana passada a administração da Prensa Ibérica de ter violado um "acordo de cavalheiros" existente entre as duas empresas.

Vítor Fernandes afirmou na altura que a Invicta TV tinha acordado, na noite de quinta-feira (dia 28), com a Prensa Ibérica, a compra de O Comércio do Porto, com a condição de que a publicação não fosse suspensa, mas tal veio a acontecer no sábado a seguir.

"A proposta que será agora apresentada terá novas condições financeiras, mas irá manter a estratégia de unir numa única redacção a equipa do jornal, do canal Invicta TV e das rádios detidas pela Finanzza", salientou o responsável.
Vítor Fernandes adiantou ainda à Lusa que, caso o negócio se concretize, pretende contar com a equipa do diário portuense.

"Dentro de um limite razoável, quero contar com as pessoas envolvidas no jornal, mesmo com aqueles que já rescindiram o contrato [de trabalho], porque O Comércio do Porto era feito por pessoas e são essas que devem manter-se ligadas ao projecto", afirmou o gestor.

O responsável acrescentou que também já enviou uma carta ao ministro dos Assuntos Parlamentares, Augusto Santos Silva, a pedir a sua intervenção e na qual defendeu que as soluções para salvar a publicação ainda não estão esgotadas.

Vítor Fernandes deu nota positiva à proposta apresentada segunda-feira pelo Sindicato dos Jornalistas que defende uma solução cooperativa para a manutenção dos títulos O Comércio do Porto e A Capital, demonstrando disponibilidade de encarar esse projecto caso este avance.

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O grupo A Folha Cultural, que detém o jornal O Primeiro de Janeiro, anunciou hoje que apresentou uma queixa no Departamento de Investigação e Acção Penal (DIAP) contra os intervenientes no encerramento do diário O Comércio do Porto.

De acordo com aquele grupo de media, o fecho do diário portuense pela empresa proprietária (a espanhola Prensa Ibérica) "não foi obra do acaso nem se prendeu com a inexistência de quem lhe desse continuidade".

Acusações que, segundo A Folha Cultural refere num comunicado hoje divulgado, podem ser provadas através de "mais de duas dezenas de documentos" anexados à queixa apresentada no DIAP.

"Os responsáveis da Prensa Ibérica não mais podem sonegar pacificamente estes factos ao país (Ó) procurando ignorar os válidos e legítimos pretendentes à centenária continuidade daquele título", acrescenta.

A queixa apresentada ao DIAP, explicam os responsáveis de A Folha Cultura, pretende clarificar "as verdadeiras razões que levaram a Prensa Ibérica a tão súbito encerramento do jornal" contra "rodos os apelos em sentido contrário".
O grupo quer ainda ser "ressarcido dos avultados prejuízos que este processo e o seu precipitado desfecho já que lhe causou".

Além disso - acusa também o grupo de media presidido por Eduardo Costa -, a Prensa Ibérica terá ido contra "as próprias decisões da Justiça portuguesa", já que um "acórdão do Supremo Tribunal Administrativo de Março último" reconheceu, segundo assegura, o grupo A Folha Cultural como o "efectivo proprietário" do diário portuense.

Segundo explicou na semana passada Eduardo Costa à Lusa, A Folha Cultural ficou em segundo lugar, atrás da Gildapress, no concurso que a Segurança Social realizou em 2000 para aquisição da totalidade de O Comércio do Porto.

Os responsáveis de A Folha Cultural, que ficou em segundo lugar, não se conformaram com o resultado do concurso, tendo recorrido para o Supremo Tribunal Administrativo.

Além de O Primeiro de Janeiro, o A Folha Cultural edita títulos como o Diário XXI, As Notícias da Manhã, Motor, o semanário Sete, a revista Rostos e os regionais Correio de Azeméis, Jornal Voz do Caima, além de deter as rádios Azeméis FM e A Voz do Caima.

10 Comments:

  • At 03 agosto, 2005 15:44, Blogger ines said…

    Isto é tudo extraordinário demais!

    Primeiro o encerramento quando havia interessados, depois a atitude do António Matos e agora isto do Eduardo Costa! Estou enganada, ou é aquele que esteve envolvido no escândalo "Recortes de Imprensa"?

    Fala ministro Augusto Santos Silva!

     
  • At 03 agosto, 2005 15:58, Blogger TAF said…

    Inês, já em 27 de Julho tinha publicado um comentário sobre isto.

    Quanto ao escândalo, acho que ainda não transitou em julgado porque houve recurso. A informação que tenho é uma notícia de 2004.

    Nota: isto é que era trabalho para os jornalistas do Comércio... ;-)

     
  • At 03 agosto, 2005 17:08, Blogger Jorge said…

    ...correcto. E não só. A própria "compra" do PJ foi extraordinária. E dizem-me que as finanças continuam a não largar a porta da Rua Coelho Neto.

     
  • At 03 agosto, 2005 17:13, Blogger TAF said…

    muito mais coisas que se falam, mas eu não conheço os intervenientes e não sei qual é a fiabilidade disto. Numa situação destas o visado tem sempre direito a contraditório. Trabalho para jornalistas. ;-)

     
  • At 03 agosto, 2005 17:19, Blogger TAF said…

    Já agora, quanto à Finanzza, li algures não me lembro onde que tinham várias rádios locais com licença suspensa, ou algo do género, por incumprimentos vários.
    Quanto às negociações com a Prensa Ibérica, está aqui o comunicado deles.

     
  • At 03 agosto, 2005 17:56, Blogger TAF said…

  • At 03 agosto, 2005 18:00, Blogger ines said…

    taf: tudo isto é incrível, tal como é incrível que o Governo continue a aceitar que o jornalismo seja um negócio como outro qualquer e que pode estar nas mãos de Eduardos Costas!
    Mas o mais incrível é como o taf se dá ao trabalho de investigar e colocar aqui links muito esclarecedores, depois de ter tentado que estes jornalistas o fizessem e de ter sido insultado por isso... Acho que estou em sintonia consigo: quando falávamos em continuar a trabalhar, não era de comunicados de câmaras (ou será publicidade grátis?), nem de serviços de agenda de que falávamos. Falávamos disto, da investigação que supostamenta a agenda não permite, certo? Escusam de se ofender todos, que já aqui li coisas boas (a do BI foi a melhor).
    Se calhar isto tudo pode servir para que se percam alguns vícios da rotina, não? Vícios, aliás, que se notam nos jornais nacionais, mas numa forma mais clean: que tratamento deram a esta matéria? Um clássico da preguiça: não publicam comunicados das câmaras, mas fazem o trabalhinho do costume - contar a história dos jornais, falar com o Baptista-Bastos sobre os bons velhos tempos... bah! Batatas! Nunca como hoje, com os blogs, se deram tantas pistas a editores. Quando é que esta malta percebe que só se compram jornais se houver informação lá dentro?

     
  • At 04 agosto, 2005 01:38, Blogger TAF said…

    Inês, não quer escrever qq coisa sobre o assunto para A Baixa do Porto (http://porto.taf.net/)? Envie-me pf. um contacto de mail seu para taf@etc.pt.

     
  • At 04 agosto, 2005 18:39, Blogger ines said…

    Olá taf!
    Se surgir assunto, prometo que escrevo, ok?

     
  • At 04 agosto, 2005 18:39, Blogger ines said…

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