O Comércio do Porto

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quinta-feira, agosto 04, 2005

O fumo

A cidade do Porto está novamente coberta de fumo. O cheiro a queimado invade o nariz e pequenas folhas de cinza bailam no ar à nossa frente. O fumo sente-se e cobriu o céu da cidade. Não só aqui, na Baixa, onde custa a respirar, mas também na Boavista. "Aqui, está péssimo. Mete medo. Não se vê o céu, só fumo", disse-me, agora mesmo, alguém que trabalha por lá. "Não percebo isto, mas faz muita confusão e revolta", acrescentou. Aqui, ao Porto, só chega o fumo, com o seu cheiro a desolação. Mas fica-se com um nó na garganta porque sabemos que o que aqui não passa de cheiro e desconforto, é apenas um rasto do que está a acontecer à volta, onde mato e pinhal continuam a ser engolidos pelas chamas. Não sei se já ardeu alguma casa, não sei se já morreu alguém. Mas a terra em redor da cidade continua a ser consumida.
Hoje é dia de risco máximo de incêndio, com as temperaturas a dispararem e a deixarem-nos com a vazia sensação de que não vamos conseguir vencer as chamas. Aqui, na Baixa, sente-se um ventinho que apetece receber com alegria, pelo alívio que traz do calor. Mas não podemos alegrar-nos. Porque ele traz a apreensão do que estará a provocar, por esses montes fora, associado ao sol implacável.

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