O Comércio do Porto

Num período em que deixou de haver papel para a tinta correr, os jornalistas e demais trabalhadores de O COMÉRCIO DO PORTO encontram neste espaço a via para o exterior, por forma a manter viva a alma do jornal mais antigo de Portugal continental. Envie as suas mensagens para comercio151@hotmail.com

quarta-feira, agosto 10, 2005

O desemprego

Estou sozinha na redacção e nunca mais rescindo... O advogado, pelos vistos, só vem à tarde, e espero bem que isto se resolva hoje porque começa a ser cansativa esta espera. Nunca mais estou desempregada, estranho, não é? A ver se hoje também coloco um post a dizer que já rescindi...
E, por falar nisso, a Aninhas faz anos hoje. Trouxe-lhe uma prenda e já lhe tentei ligar mas o telemóvel está desligado. Ainda deve estar a dormir. Mas já levou os caixotes todos que estavam aqui a atravancar a entrada na segunda-feira e estou farta de me perguntar onde os terá enfiado...
Sem ninguém para conversar, já vi hoje a Fernanda, o José Carlos, o Fontes, a Arminda, o Humberto e a Susana da secretaria, que se sentou um bocadinho ao pé de mim. Diz que o filho está a adorar ter uma mãe desempregada, porque a tem sempre por perto, mas que ela não acha piada nenhuma e já começa a desesperar com as actividades caseiras do dia-a-dia. Fazer o almoço e jantar todos os dias, arrumar a casa e tê-la desarrumada no minuto seguinte... (Isto anima-se, entretanto chegou a Jennifer e apareceu também o Rui).
Eu confesso que, por enquanto, me mantenho calma, mas apenas porque empurro para longe a imagem do desemprego. Porque quando se começa a pensar nisso, meus amigos, nem vos digo! Um dia destes um amigo já me perguntou se eu estaria interessada em algo fora do jornalismo, como assessorias ou assim, porque podia estar atento e ligar-me. Disse-lhe que não, porque gosto demasiado disto e não quero desistir para já. E desta vez não me deu vontade de chorar, nem fiquei cheia de raiva, como aconteceu há uns anos quando (numa altura em que estava de mal com o Comércio), um outro amigo me perguntou se eu não queria ir trabalhar para um jornal universitário. Na altura, fiquei de rastos, chorei e barafustei. Porque aquilo soou-me a desistência, a dizerem-me, esquece porque não vais trabalhar em mais nenhum jornal diário, por isso começa a procurar alternativas. E eu não queria. Como não quero agora. Mas desta vez não fiquei zangada, não chorei, nem barafustei. Acho que a possibilidade de ter, pelo menos, ano e meio de subsídio de desemprego me deixa margem para não me preocupar para já. Só que é como digo: tudo vai bem enquanto não paro para pensar... Porque se começo a visualizar dias após dias e semanas após semanas sem nada para fazer nem um jornal para trabalhar, sinto o coração parar um bocadinho, e depois bater muito depressa por duas vezes e parar novamente. Acontece sobretudo mal acordo ou quando estou quase a adormecer, naqueles momentos em que ainda não controlamos totalmente aquilo em que pensamos. E assim se passam os dias. E nunca mais rescindo. E ainda não estou desempregada. Mas não falta nada para isso...

1 Comments:

Enviar um comentário

<< Home