O Comércio do Porto

Num período em que deixou de haver papel para a tinta correr, os jornalistas e demais trabalhadores de O COMÉRCIO DO PORTO encontram neste espaço a via para o exterior, por forma a manter viva a alma do jornal mais antigo de Portugal continental. Envie as suas mensagens para comercio151@hotmail.com

sexta-feira, agosto 05, 2005

O Comércio e a Márcia Vara

O texto que segue foi enviado para o “Póvoa Semanário” onde trabalha a Márcia Vara, mas não houve possibilidade de publicação esta semana. Para que se não perca a oportunidade, resolvo enviá-lo por mail directamente para o vosso blogue que leio diariamente. Afinal também sofro já que tive vinte anos de colaboração.

Aceitem a solidariedade do

Armando Marques


O COMERCIO DO PORTO

Já há anos que se falava na extinção deste decano da Imprensa portuguesa, que ultrapassara os cento e cinquenta e um anos de publicação, sendo, portanto, o mais antigo de Portugal, um verdadeiro património da cidade do Porto e de todo o Norte.

Quando agora se anuncia a concretização de que até então era uma ameaça, não deixei de sentir um enorme desgosto e alguma revolta. Desgosto porque fui correspondente deste Jornal durante duas décadas e inúmeras vezes subi as imponentes escadas do seu monumental edifício, na Avenida dos Aliados (agora o Banif), conhecendo-o por dentro deste o zimbório até às chamadas “catacumbas” onde se situavam as máquinas de impressão.Entrei, pela mão de Álvaro Graça, com o Director José Miguel Seara Cardoso e saí quando o dirigia o meu Amigo Joaquim Queirós. Na Biblioteca e sala de troféus do Comércio existem (ainda?) diversos troféus poveiros, de homenagem e gratidão. Em reconhecimento da colaboração prestada, gratuitamente, era convidado, com mais outros quatro correspondentes, para reuniões de trabalho e definição de métodos e estratégias. Enfim, relacionei-me com os grandes jornalistas de então.

Por isso, não sendo já aquele Comércio que conheci, não deixa de ser um título património da cidade do Porto e do Norte.

Com o fim anunciado confiei que, a exemplo do acontecido com o Coliseu e agora com o mercado do Bolhão, a sociedade civil portuense se mobilizasse para defender o Comércio. Tal (ainda) não aconteceu. Confio que venha a acontecer.

Para a redactora deste “Póvoa Semanário” e actual correspondente do Comércio, a Márcia Vara, a minha solidariedade e uma palavra de esperança. O Comércio sobreviverá.

Armando Marques