O Comércio do Porto

Num período em que deixou de haver papel para a tinta correr, os jornalistas e demais trabalhadores de O COMÉRCIO DO PORTO encontram neste espaço a via para o exterior, por forma a manter viva a alma do jornal mais antigo de Portugal continental. Envie as suas mensagens para comercio151@hotmail.com

terça-feira, agosto 02, 2005

Na Ribeira

Merda! Pode-se escrever merda, ou não? de qualquer forma, usando as minhas responsabilidades de ex-chefe de redacção do Comércio,  vou escrever outra vez: merda (O Toneca não ia deixar, o Rebelo ia gelar, e o Ferreira ia dizer, és fodido!). A primeira merda não conta porque se tratou apenas de um pedido de informação a saber se podia escrever merda.

Com esta merda toda, já não sei quantas vezes escrevi essa palavra. Que merda, não é? Esta situação, pois claro, de um jornal ter fechado e de vos deixar com de lágrimas nos olhos. A vocês e a mim, porque essa Ticha fez o favor de escrever um texto que li e que me lembrou a tristeza de ver esse amigo fexhar os olhos e de estar com imensas dificuldades em os abrir.

Foi na Ribeira, um fim de tarde, e desculpem que nem consegui olhar para vocês, os que quiseram ir dar um abraço, fazer coro, estar comigo (e, já agora, comprarem o livrinho, que nos deu muito trabalho a fazer). A Manela estava demasiado decotada, mas eu sou gajo para perdoar isso. Olhei, Manela, olhei. Ticha, roubei-te a caneta. Desculpa, mas deu um jeitão. Marlene, não te roubei a caneta, fica para a próxima (FNAC, Norteshopping, 13 de Agosto). A Ana Cristina estava com aquele olhar perdido - essa angústia toda que me deixa ainda mais dorido. Sorri pelo menos uma vez, porque ficarás sempre na minha história como tendo feito um Primeiro Plano com 2000 caracteres, nas entranhas do Porto, desse Porto quase morto, que deixa assim morrer um filho.

O Barroso nem me abraçou, não é preciso, pois não? Tens tudo nos olhos (ainda vão dizer que somos bichas, mas quem é que se importa com isso). A Ligia? Estava linda, linda (ainda vão dizer que somos namorados). A conversa rola, como a bola, nas cartas que estavam a dar no desporto, grande Pataco, grande Alvarenga (não trabalhei contigo e nem sabes do que te livraste) e esse meu irmão mais novo, o Vítor, pois, ninguém se acredita que ele é mais novo. Obrigado, meu Deus, por me teres feito tão bonito. (É do teatro mesmo!). O Bessa foi o último de quem me despedi. Disse-me obrigado. Vi assim um obrigado tão sincero que entendi que tinha feito algo de importante. Ou foi por um dia lhe ter dito que não entendo como é que um gajo do FC Porto se pode chamar Bessa?

Obrigado a vocês, grandes companheiros, grandes camaradas, grandes amigos. Os que não foram á Ribeira também. Enfim, há alguns que não são amigos, mas eles sabem quem são. Nõs sabemos.
Deixem-me só dar aquele abraço especial ao Zé Miranda e ao Reizinho e esse abraço servir para todos os amigos, todos sem excepção. Se me deixarem falar mais alguma vez em público, serei um matador sincero, usarei essa arma que não nos roubam por muitos jornais que fechem: a palavra.

Carlos Pereira Santos

10 Comments:

  • At 02 agosto, 2005 16:58, Blogger Patricia Carvalho said…

    Eu passava-me com alguns dos teus textos, sobretudo quando publicavas, no meio dos textos, nomes da malta da redacção e situações que por lá se passavam. Mas podes ser meu chefe todos os dias. Sempre.

     
  • At 02 agosto, 2005 17:10, Blogger Patricia Carvalho said…

    Mais uma coisa: és um bocado nojento. Estamos todos a chorar outra vez!

     
  • At 02 agosto, 2005 17:11, Blogger António Barroso said…

    Não te abracei porque tenho sempre aquela mania estúpida de não dar nas vistas. Era o dia em que estar lá contigo era a coisa mais importante do mundo. Não te abracei porque tu sabes que ainda hoje estou abraçado a ti por praticamente tudo o que me aconteceu nos últimos seis anos. E nunca esquecerei quem me agarrou no até aqui dia mais triste da minha vida. Não te agradeço já porque ainda há muito caminho para percorrer juntos. Dê por onde der!

     
  • At 02 agosto, 2005 17:20, Blogger Ana Cristina Gomes said…

    Tu ficarás na minha memória por muitas coisas, nomeadamente por aquela foto da toupeira que já não te lembras de ter escolhido...

     
  • At 02 agosto, 2005 17:53, Blogger Juanita said…

    Lamento não ter estado presente, quanto mais não seja para me cruzar mais uma vez contigo - agora só o fazíamos nos estádios de futebol... A Patrícia apelidou-te de "Capitão". E é isso que representas para nós. Sempre foste o nosso líder e temos saudades tuas:) Já te disse isto muitas vezes, embora tu desvies quase sempre a conversa...
    Beijinhos da Maria Zilda*
    Ah, já agora, vou ver se passo uma "vistinha de olhos" pelo livro do Jorge Costa. Depois digo-te qualquer coisa:)

     
  • At 02 agosto, 2005 18:24, Blogger Fernanda Rossi said…

    Carlos,queria te agradecer pela oportunidade de ter trabalhado no Comércio. Obrigada sobretudo, por ter sempre defendido os seus jornalistas com unhas e dentes!

     
  • At 02 agosto, 2005 18:39, Blogger miguel said…

    Acho que o maior elogio/agradecimento que posso fazer é dizer-te que nunca me senti tão jornalista como na altura em que tu (e mais uns quantos) trabalhavas cá. E mesmo a ganhar 90 contos por mês sentia verdadeiro orgulho de fazer parte de uma grande equipa...
    Pataco

     
  • At 02 agosto, 2005 21:35, Blogger SusanaRibeiro said…

    E eu não estive lá, porque passei a porra da última semana a tentar ser sindicalista!!! :(
    ADORO-TE! SEMPRE!
    E nunca esquecerei a vez que conheci o teu sósia picheleiro! lol

     
  • At 03 agosto, 2005 11:56, Blogger cristina mota said…

    eu não estive lá... mas acho que o abraço tb era para mim. não esqueço as palavras que me disseste no dia em que a Carolina nasceu.
    beijinhos

     
  • At 03 agosto, 2005 12:24, Blogger Marlene Silva said…

    Nunca tive o prazer de trabalhar contigo... Não me perdoo por isso; por não ter cehagado mais cedo. Não sei porquê, de uma hora para a outra, recebeste-me no seio do teu grupo de amigos e agradeço-te muito por isso... Pelos convites indecentes (sempre à frente da Lígia para não me deixares encabulada) e por achares que alguém era burro por não me amar... Obrigada e quero continuar a rir-me com as tuas coisas...

     

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