O Comércio do Porto

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quarta-feira, agosto 03, 2005

MUNDO CÃO...

Um caso de amor. Tudo começou no dia 4 de Dezembro de 1995 na porta traseira do Centro Comercial Brasília, no Porto. Foi amor à primeira vista. Hoje, continuo apaixonada pela sua sensibilidade, inteligência, mas sobretudo pela sua dedicação.
Tinha cerca de dois meses de idade. Abandonada, circulava em redor das pessoas mendigando atenção. Conquistou-me. Como ela tantos outros são abandonados. Muitos encontram a morte nos canis camarários e a maioria acaba por morrer à fome ou nas estradas, enquanto vagueiam pelas ruas em busca de alimento e de abrigo.

Em Portugal estima-se que mais de 10.000 animais são abandonados anualmente. As associações zoófilas que recolhem animais já há muito ultrapassaram a sua capacidade de alojamento. O mau/deficiente tratamento dispensado acaba por ser uma inevitável consequência.

Época de férias... pois!
Para além do sofrimento e degradação física, o abandono provoca graves danos psicológicos no animal. Arrancado de um contexto que naturalmente atenua os seus instintos básicos de sobrevivência (como a busca de alimentos) e apura a sua afectividade pelos donos, o animal (sobretudo o cão) entra em sofrimento.

A penalização dos donos pelo abandono não é ainda uma realidade no nosso país. O sistema electrónico que determina a introdução nos animais de um microchip que permita identificar cada animal pela raça, data de nascimento e respectivos donos, parece ser a mais sustentável via para providenciar a responsabilização.
A identificação electrónica de animais de companhia iniciou-se, na Europa, há cerca de 15 anos, nomeadamente em países como a Bélgica, Dinamarca e Espanha. Ao promover uma identificação animal correcta e eficaz, potencia a responsabilização dos proprietários dos animais, contribuindo, assim, para a diminuição do abandono.

O microchip é constituído por um código exclusivo e inalterável, gravado a laser e encapsulado num vidro cirúrgico, que tem o tamanho de um bago de arroz, com aplicação por via subcutânea.
Em Portugal a colocação do microchip é já obrigatório nas raças consideradas perigosas (Decreto-Lei n.º 312/2003 de 17 de Dezembro de 2003). A legislação prevê a total obrigatoriedade a partir de 2008.
Está a cargo do Sindicato Nacional dos Médicos Veterinários a criação e gestão de um banco de dados com a identificação dos animais de companhia: SISTEMA DE IDENTIFICAÇÃO E REGISTO ANIMAL – SIRA/SNMV.

Ainda na crescente (e feliz) lógica que visa conferir maior dignidade aos nossos amigos animais há que realçar o passaporte veterinário. Trata-se de um pequeno livro azul com as doze estrelas da União que visa provar a boa saúde do animal, a sua situação legal ou os exames clínicos realizados. Na prática, o objectivo é harmonizar o documento veterinário dos animais domésticos, substituindo assim 25 documentos nacionais diferentes, onde deve constar obrigatoriamente a vacina contra a raiva.
O documento é obrigatório para os animais que viajem na União Europeia em qualquer circunstância, incluindo pelas fronteiras terrestres, cujo controlo pode ser feito pela polícia do Estado-membro de acolhimento.
A excepção a esta regra acontece no Reino Unido, Irlanda, Suécia e Malta, onde as regras veterinárias são mais rigorosas e a simples existência do documento não é suficiente para garantir a entrada no país.

"O Cão Vermelho"
Por fim, não posso deixar de sugerir uma leitura "O Cão Vermelho" (Edições ASA). Louis de Bernières encontrou nele fascínio suficiente para lhe dedicar o seu talento de escritor. As histórias relatadas são baseadas na realidade a partir de uma recolha cuidada.
O Cão Vermelho marcou a vida de muitos. Não porque fosse um cão-herói capaz das mais arriscadas façanhas ou salvamentos. Fiel a si próprio, o Cão Vermelho ficou na história pela sua solidão tão imensamente preenchida. Quem ama os animais não duvida do enredo. Quem não ama, com certeza, assegura o respeito.
Porque "os animais são nossos amigos"... e sentem.

Salomé Castro

2 Comments:

  • At 03 agosto, 2005 20:38, Blogger ines said…

    Aqui há uns tempos li uma história, acho que no Público, sobre um cão de caça que tinha um destes chips. Era ainda cachorro e resolveu ir dar uma voltinha. O dono procurou-o, claro, nos canis e encontrou-o... castrado! Ou seja, preguiçoso e já inútil como cão de caça.
    Os senhores do canil nem sequer se deram ao trabalho de ver se o cão tinha chip e fizeram-lhe o que fazem a todos os que vão lá parar. De qualquer forma, quem fica com o registo do chip é o veterinário que o põe. Não há uma base de dados nacional. Então, caso alguém encontre um cão com um chip, tem que telefonar aos veterinários do país inteiro para descobrir o dono... Faz muito sentido, não faz?

     
  • At 04 agosto, 2005 15:54, Blogger Salomé Castro said…

    Cara Inês
    Agadeço o comentário. Respondendo à questão colocada:
    Como digo no texto : "Está a cargo do Sindicato Nacional dos Médicos Veterinários a criação e gestão de um banco de dados com a identificação dos animais de companhia: SISTEMA DE IDENTIFICAÇÃO E REGISTO ANIMAL – SIRA/SNMV".
    Mais informação: Aquando do desaparecimento de um animal deve ser efectuada uma comunicação ao Sindicato dos Médicos Veterinários que emite uma circular com o nº do chip e os dados do animal desaparecido a todas as clinicas veterinárias.

     

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