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sábado, agosto 13, 2005

Marques Mendes insiste na declaração de calamidade pública




O líder do PSD foi a Oliveira de Azeméis apresentar as condolências à família do bombeiro falecido ontem num acidente. A cerimónia fúnebre realiza-se amanhã pelas 12h30 no quartel dos bombeiros, onde o corpo se encontra em câmara ardente

Francisco Manuel (Texto)
Paulo Oliveira (Fotos)




Marques Mendes voltou, hoje a insistir na necessidade do Governo fazer a declaração de “calamidade pública” e “mostrar sensibilidade social com as populações afectadas com os incêndios”. O presidente do PSD – deputado eleito por Aveiro - foi o primeiro líder político dirigir-se ao Salão Nobre dos Bombeiros de Oliveira de Azeméis, e apresentar as condolências à família do bombeiro falecido ontem vítima de um acidente de viação.
À saída, visivelmente consternado, Marques Mendes sublinhou que “os bombeiros são uns heróis e agora voltam a prová-lo”, considerando que “esta é uma grande tragédia a acrescentar à tragédia dos incêndios”. Marques Mendes, exigiu também ao Executivo de José Sócrates “para se deixar de teimosias” e reúna o conselho de ministros aprovar um programa de solidariedade para ajuda às famílias afectadas pelos fogos. Marques Mendes garante que o PSD está disposto a apoiar essa medida, garantindo que não quer fazer política com estas tragédias. “Não é tempo de teimosia nem de arrogância”, concretizou. O responsável máximo do PSD afirma que tem visitado os locais desbastados pelas chamas, falando com as populações e presidentes de Câmara, “longe da comunicação social”, e concluiu que a situação exige mesmo a declaração de “calamidade pública”, o que “já deveria ter sido feito”. “Esta não deve ser uma batalha política, mas sim um momento de solidariedade”, advertiu.

Choro e mágoa


Eram cerca das 14h30 quando Marques Mendes chegou ao Salão
Nobre dos Bombeiros de Oliveira de Azeméis, onde se encontra em câmara ardente o corpo de Bruno Santos. À volta do caixão do jovem bombeiro de 24 anos, estava a família inconsolável, lavada em lágrimas, sem conseguir conter a revolta de ver partir este soldado da paz. “Ele ligou-me ontem às 2 horas (14 horas) e disse-me que ia para um incêndio, foi a última vez que falei com ele”, soluçava a mãe. “Ele não chama mais pela mãe”, repetia a progenitora, com o rosto lavado em lágrimas, lembrando que este era mais um bombeiro a morrer no cumprimento da missão que escolheu: Ser bombeiro. Os quatro bombeiros que faziam a guarda de honra, sem perder a postura de sentido que lhes era exigida, não conseguiam impedir que as lágrimas rolassem pelos seus rostos. Do presidente dos bombeiros, ao comandante distrital de Operações e Socorros, António Machado, passando pelo Governador Civil de Aveiro, Filipe Neto Brandão, ninguém conseguia esconder a emoção que “arrasou” a corporação de bombeiros que em 99 anos nunca viveu um momento assim.
“Este é um momento de tragédia e de dor”, começou por afirmar o deputado Hermínio Loureiro, que “desde a primeira hora esteve no terreno tentado prestar todo o apoio necessário à corporação e à família enlutada”. Segundo o também presidente da Assembleia Municipal é “importante que o corpo de bombeiros se restabeleça rapidamente desta tragédia”, não deixando de salientar que os bombeiros são “constituídos por homens e mulheres muito fortes”. O ex-secretário de Estado do Desporto, quer também que o Governo dê “às corporações de bombeiros todos os meios para que possam responder às várias solicitações”, lembrando que além da vida humana que foi ceifada, e dos outros dois bombeiros que se encontram em estado muito grave, um deles com prognóstico reservado, a corporação de Oliveira de Azeméis precisa de substituir a viatura destruída no acidente.


Faltava à escola para ir para os bombeiros”


Bastante combalido estava o comandante interino dos bombeiros de Oliveira de Azeméis, que lembrou o homem que era o jovem Bruno Santos de 24 anos: “Um bombeiro de dedicação extrema que adorava os bombeiros. Até fugia à escola para vir para os bombeiros. São estas coisas que nos aumentam ainda mais a nossa revolta”. Jorge Pereira disse ainda que os familiares de Bruno Santos estão a ser acompanhados por dois psicólogos da corporação, garantindo também que a corporação irá fazer tudo o que for possível para minimizar a dor da família.



Jante partida pode ter estado na origem do acidente

Jorge Pereira explicou ainda que Pedro Figueiredo, se encontra internado no hospital de Santo António no Porto, em estado de coma tem prognostico bastante reservado. “Temos de esperar tudo, e isso é ter acreditar que possa evoluir favoravelmente”, disse. Já Carlos Severino, está estável, mas também o seu estado é critico, embora não tão grave como o do adjunto de comando. Segundo o comandante, esta era a terceira vez, no mesmo dia, que os bombeiros de Oliveira de Azeméis se dirigiam a Nespereira, na freguesia de Palmaz, para combater a chamas. O acidente ocorreu cerca das 17h30, “no Lugar de Ferreirinha, antes de chegar a uma curva; tudo indica que se terá partido uma jante que fez sair uma roda, levando ao despiste e consequente capotamento”, explicou o comandante.
A vítima mortal e o adjunto de comando Pedro Figueiredo, estavam dentro da cabine, enquanto os outros feridos, Carlos Severino e Vera Marques- que já se encontra em casa - estavam na parte de trás juntamente com Diogo Santos – irmão da vítima mortal que saiu ileso - conseguindo saltar na altura do embate.
Pedro Figueiredo, de 34 anos, que há cerca de duas semanas pediu uma licença de trinta dias, alegadamente por causa do processo de nomeação do novo comandante, continuava, apesar disso, a trabalhar diariamente no combate aos incêndios.