O Comércio do Porto

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sexta-feira, agosto 05, 2005

A lei da oferta e da procura ou uma história dos desempregados do COMÉRCIO

Ora bem. Aqui debaixo do jornal existe uma loja tipo 300, ou um euro, como preferirem. A malta costumava passar por lá, quando o fornecimento de água grátis do jornal estava esgotado, para comprar umas garrafas de um litro de água do Marão a 30 cêntimos. Nada mau. Esta semana, com a mudança forçada e toda a gente a descobrir que acumulou papelada até mais não nos anos que aqui esteve, um novo item da loja começou a chamar a atenção: umas caixas em plástico, de tampa amarela, grandes o suficiente para guardar muitos papéis e sem o risco de se desfazer com o peso. A Arminda (acho eu) iniciou o negócio, apareceu aí com a caixa, disse o preço - 14,75 euros -, e como pareceu um preço razoável, houve quem lhe seguisse o exemplo. A Ana foi uma delas. Na quarta-feira, lá foi comprar uma caixa, pelos ditos 14,75 euros e posso garantir que já está ali, cheiinha a abarrotar, pronta para entrar na mala do carro que a há-de levar para outras paragens. Não sei quantas pessoas mais procuraram as ditas caixas, mas o negócio estava a correr tão bem, que a dona da loja achou que era tempo de mudar o preço à coisa. Quem se tramou foi a Marlene, que chegou há bocado, de caixa pendurada na mão. É que a rapariga pagou 16,50 euros. "Um escândalo", diz ela, depois de descobrir a diferença de preços. Já não lhe bastava ter sido despedida e andar a lutar com unhas e dentes para a empresa reconhecer uns míseros 600 euros a que tem direito mas que estão difíceis de obter, e ainda tinha que ser a primeira vítima da velha lei da oferta e da procura. Boicote às caixas já!

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