O Comércio do Porto

Num período em que deixou de haver papel para a tinta correr, os jornalistas e demais trabalhadores de O COMÉRCIO DO PORTO encontram neste espaço a via para o exterior, por forma a manter viva a alma do jornal mais antigo de Portugal continental. Envie as suas mensagens para comercio151@hotmail.com

terça-feira, agosto 02, 2005

Jornais, mercado e outras espécies...

Hoje apetece-me vociferar contra três espécies infelizmente comuns e em maioria cá no cantinho à beira-mar plantado: o povo que não lê jornais, os incompetentes que alegam razões de mercado para desastres como o nosso - o do COMÉRCIO - e as almas empenadas pelos seus preconceitos.
Começando pelos primeiros: vivemos num país onde nem um décimo dos seus cidadãos lê diariamente jornais. Basta fazer as contas. Todos juntos - Jornal de Notícias, Correio da Manhã, Público, 24 Horas, Diário de Notícias, O Comércio do Porto, Capital, Diário Económico, Jornal de Negócios e O Primeiro de Janeiro -, os periódicos devem rondar os 400 mil exemplares vendidos diariamente. Ora, se a população portuguesa ronda os 10 milhões, muito facilmente se depreende que se calhar nem cinco por cento dos Portugueses lê jornais diários generalistas. Juntemos a isto, por curiosidade, os cerca de 250/300 mil diários desportivos - Bola, Jogo e Record - e registe-se que a Imprensa diária - incluindo agora os diários regionais, estimados em 100 mil exemplares diários de Norte a Sul - não chega ao milhão de exemplares por dia vendidos nas bancas. Como um mais um são dois, nem um décimo dos Portugueses lê diariamente jornais.
Porque este é um vector das tais razões de mercado normalmente equacionadas por quem sabe e por quem não percebe nada disto, passemos à segunda espécie alvo do meu desgosto por convivência: os incompetentes que alegam essas mesmas razões. Pego no exemplo desse exemplar autarca que lidera a minha cidade (sou paciente como os chineses, acredito que a História lhe dará o lugar devido!): Rui Rio, presidente da Câmara do Porto, disse a propósito deste património da Invicta que são as razões de mercado que ditam o sucesso ou a morte de um projecto como o COMÉRCIO DO PORTO. Ora nem mais. Coerente até ao fim (ao nosso, claro). Fui editor da secção Grande Porto neste durante ano e meio. O único autarca que sempre evitou e travou o exercídio jornalístico do contraditório ou que discriminou por redacção da cidade a informação que o seu órgão de poder local transmitia por dever ou até por interesse foi ele. Em circunstância alguma fui pressionado, enquanto responsável noticioso, para exercer com esse meu poder alguma posição discriminatória para com o presidente da Câmara do Porto. E um autarca é, também, um elemento regulador do mercado, não por definição, mas porque a sociabilização tem razões de mercado que a racionalidade às vezes desconhece. Como um mais um são dois, a gente aqui na redacção agradece a tentativa de explicação para não mexer uma palha por uma instituição que vale mais para a cidade que um novo mandato que Rui Rio possa conquistar. Lesse o povo mais jornais...
Por fim, as tais almas empenadas. Com o espírito democrático e revelando até alguma isenção, permitimos, neste blogue, comentários que mais não são dos que feridas mal saradas porr gente que nunca pensou que as razões de mercado também não absorvem incompetentes ou gente que estagnou na profissão. Algumas "postas" são verborreia anónima, típica dos covardes. Também dá jeito que "saia" neste nosso COMÉRCIO, que vive agora no coração e não no papel. Dá jeito, porque um mais um são dois e rapidamente se percebe o quanto ainda sofrem os xau-xau's e outros anónimos. Costumo dizer nesses casos: nunca vi um branco precisar tanto de uma mamada. Estamos aqui - e estaremos noutros sítios - para vos dar colo. Keep it cool!!!

11 Comments:

  • At 02 agosto, 2005 14:08, Blogger Mente Sana said…

    Compreende-se a revolta do autor, agora que não julgue que o termo "incompetentes" ou "estagnados no tempo" é a realidade do desemprego e das falências que ocorrem neste país. Você é competente e actualizado até ao dia que um qualquer jogo de interesses, legal ou não, resolva deitá-lo abaixo e defini-lo como incompetente ou alguém que não evolui. Você é competente até ao dia em que um director incapaz que pretenda meter alguém da confiança dele no seu lugar resolva boicotar-lhe o trabalho e chamar-lhe todos os nomes. Num país onde a corrupção fala mais alto, incompetência é algo discutível, visto não reconhecer capacidade nem idoneidade a governantes que em 31 anos nos deixaram no estado em que estamos para julgarem a competência ou incompetência de um povo. Um indivíduo que tem uma empresa de sucesso, seja qual for o ramo, poder-se-à considerar como competente ou então deduz-se que está rodeado de gente competente. Ao invés, um indivíduo que pega numa empresa e a destrói... devemos classificá-lo como ? Um grande abraço e continuem a lutar !

     
  • At 02 agosto, 2005 14:21, Blogger ines said…

    Olhe que não... Há muita gente que não compra, mas lê jornais. Aí no Porto ainda há o bom costume do café com jornal: um só exemplar é lido por muitos.
    E as estatísticas não podem ser lidas assim. Faz-me lembrar uma sobre a compra de escovas de dentes em Portugal, que concluía que cada português comprava uma só (ou seriam duas?) escova por ano. Isto dividindo o número de escovas vendidas pelo da população. Ora, se eu compro muitas mais (umas 5 por cada membro da família e somos 4 lá em casa), posso é concluir que vários portugueses NÃO COMPRAM nenhuma escova de dentes, certo?

     
  • At 02 agosto, 2005 14:25, Blogger Faneca said…

    A culpa é do povo que é burro, dos empresários que deviam encarar isto como serviço social, e das almas empenadas que só escrevem o que não se gosta ou não se entende, para os quais se teve a deplorável ideia do 151 do hotmail.
    Depois há os autarcas, os partidos, enfim, todas as bestas do costume. Todos excepto os jornalistas, claro. Por falar nisso, no Comércio só há jornalistas? Ainda não perceberam que há aí mais gente.
    Pelos posts, confirmoque há pelo menos dois jornalistas: Vítor Hugo Alvarenga, que continua a assumir-se como tal e a demonstrar sê-lo, e Francisco Manuel, com o seu brilhante post a propósito do incêndio em Ovar.
    O resto, amigos, é autolambidelas e paranóicos armados em superheróis, tudo em tom de jornal de paróquia. Basta!, porra, alguém tenha mão nisso e conserve a dignidade do jornal.

    Juro que vos quero bem, mas a esses carpideiros que só agora se lembraram que são jornalistas - embora um deles jure aqui no blog que afinal é um missionário infiltrado -, ainda bem que ides mudar de ofício. Porque aos outros, oportunidades virão, talvez mesmo sob o mesmo título. Para esses, até à próxima.

     
  • At 02 agosto, 2005 14:30, Blogger António Barroso said…

    Caro Mente Sana. Estou de acordo com sua a lógica, mas talvez não me tenha feito entender. Mas para o caso estou a falar da competência do exercídio do poder e de dois casos específicos: O COMÉRCIO DO PORTO e o presidente da Câmara. A incompetência no nosso jornal esteve, inclusive, ausente, pois desde o primeiro dia em que a administração que cessa o projecto não o promoveu, não o publicitou e não o conduziu por perto - talvez o maior erro, até. Portanto, o indíviduo que - como equaciona na sua última frase - pega na empresa e a destrói é um incompetente. Mas fique a saber que para mim esse incompetente são dois. Um homem e uma empresa. E em momento algum julgue, como outros que expressaram já as suas opiniões, que esse homem seja alguém que todos os dias acompanhou o jornal. É que não foi mesmo!

     
  • At 02 agosto, 2005 15:16, Blogger António Barroso said…

    Minha cara Inês: bastaria conhecer algumas aldeias ou até alguns bairros - esse Portugal que a gente sabe que existe mas que não conhece - para saber que vários portugueses não compram escovas de dentes. Isto não é um problema de estatística. É realmente um problema de mercado, que não se resolve com lirismos nem com aventuras empresariais. Resolve-se com investimento sério, programado e competência profissional a vários níveis. A questão que coloco ao nível da venda - e não da leitura, mas talvez não tenha sido tão rigoroso na minha própria apreciação - de jornais é real e não estatítica. É um facto que tem a ver com políticas a montante do saber e da sociabilização. O hábito da leitura está pouco cultivado. Um exemplo. Mas é um e vale o que vale: um primo meu começou por ver filmes, desenhos animados em vídeo e muita televisão. A mãezinha achava que era vídeo e televisão a mais. Ao miúdo, as imagens despertaram-lhe a curiosidade e foi à procura do saber. Hoje devora livros... Às tantas, não é a estatística mesmo!. Às tantas, a resposta é mais simples, mas para isso era preciso acabar com algumas imutabilidades e conceitos que são importados de outros países onde se lê ainda menos...

     
  • At 02 agosto, 2005 15:54, Blogger Mente Sana said…

    Não me atreveria a julgar pois o meu ramo é outro que não o jornalismo. Li o seu artigo e podendo comentá-lo, lembrei-me que em Portugal a esmagadora maioria das falências e despedimentos não se devem à incompetência dos trabalhadores mas sim dos seus gestores e eventualmente dos governos, no caso de empresas estatais. As causas são inúmeras. Estratégias de mercado que desconhecemos, as quais só Deus e os gestores/accionistas sabem mas que em nada prestigiam a empresa, contratos de compra e venda que nos deixam perplexos, tais como compra de automóveis de luxo, material de escritório supérfluo, informático e outros quejandos e ao fim de meia dúzia de anos, precisamente quando até lemos na imprensa que a dita empresa era estável e tinha um sucesso enorme, de um dia para o outro deixou de ter. Faliu. Ou faliram-na. Em última instância, a culpa é sempre de quem gere. Eu, o senhor, os seus colegas que não estejam em lugares de topo, limitamo-nos a cumprir ordens. Se o timoneiro presta, estamos safos, caso contrário, temos um naufrágio. E afinal só nos pediam para trabalharmos, o que faziamos de bom grado. Porém as causas para o desfecho serão sempre algo desconhecido para nós, agora acredito que tanto no vosso caso como em outros que conheci, a culpa não é de certeza da redacção nem tão pouco dos jornalistas que diariamente nos prendavam com notícias interessantes e com um português correcto e agradável. Esses cumpriram sempre o seu papel. E acredito que de uma forma ou de outra conseguirão ultrapassar a situação. Apenas uma nota, sou anónimo sem o ser. Mandei-lhes há bocado, à hora do almoço, um e-mail com algumas idéias, sugestões e uma palavra de força e apreço ! "Mente Sana" é o mesmo ! Identificado para os jornalistas, anónimo para os outros. É esta a minha filosofia ! Abraço []

     
  • At 02 agosto, 2005 16:02, Blogger António Barroso said…

    Caro Mente Sana. Desta vez completamente de acordo. E quando me referia aos anónimos, não era a si que o fazia. Porque discordar faz a coisa evoluir. Insultar é que não. Daí a ponta final do meu desabafo: estava a referir-me a gente que se esconde por trás do anonimato para insultar e atacar pessoalmente colegas meus.

     
  • At 02 agosto, 2005 18:12, Blogger ines said…

    Caro António:
    Confesso que não acredito muito nas estatísticas sobre a leitura em Portugal. As pessoas lêem muito mais do que o que as estatísticas nos dizem. A grande chatice é conseguir vender jornais. E um jornal regional - como era o caso do Comérico - tem o grande trunfo da proximidade, mas também tem o grande contra da venda da publicidade - que é muito mais facilmente enredada na mafiosice do poder local. Sei muito bem que há anunciantes que cortam publicidade por não querer ter chatices com o poder local.

     
  • At 02 agosto, 2005 18:17, Blogger António Barroso said…

    É verdade Inês, é verdade.

     
  • At 03 agosto, 2005 08:44, Blogger Mente Sana said…

    Isso é uma prática generalizada na blogosfera, contra a qual existem apenas duas coisas a fazer, ignorar e eliminar esses comentários. Só depois de ter comentado é que reparei no comentário depreciativo de um "xau-xau" e então percebi o porquê do seu texto, que tinha toda a razão. Quanto a isso, eu penso que quem pretende gozar com os outros aproveitando-se do azar alheio para denegrir as pessoas não merece que nos dignemos a responder-lhes. O vosso caso sensibilizou-me porque já passei por outros semelhantes. A técnica é sempre a mesma. Ainda me recordo que na altura nos falaram em crise, em contenção de despesas e, como que estando a gozar com a nossa cara, todos os automóveis de directores e administradores foram substituídos por outros modelos, topos de gama. Devia de ser da crise, percebe ? A contenção de despesas faz-se assim, adquirindo carros de luxo ! Mas não ficaram por aí. Indeminizações a esses indivíduos que foram autênticos totolotos, algumas ascendendo à centena de milhar de contos e mais !:-) Era da crise. Entretanto, pessoas que toda a vida foram competentes e sobre quem na semana anterior tinha ouvido os seus chefes dizerem que eram excelentes profissionais, na semana em que tudo estoirou já estavam ultrapassadas, uma inclusivé foi tratada como se tivesse problemas psiquiátricos, com desprezo e rindo-se das suas palavras, eram tudo incompetentes. Evidentemente que numa situação destas só há que fazer aquilo que escrevi no mail que vos enviei. Quando estão a fazer força para nos fecharem a porta, a solução é segurarmos um bocadinho a "barra" mas depois puxarmos nós mesmos a porta violentamente, aproveitando a inércia e fazendo com que quem nos quis fechar a porta bata com a cabeça nela. Porque é você que tem razão. Porque é o senhor e os seus colegas que têm razão. Seríamos incompetentes se não tivessemos capacidade para trabalhar em nenhuma empresa, agora o que acontece é que quando fecha aquela onde trabalhávamos ou quando nos despedem, acabamos por ir para outra empresa, normalmente mais competitiva, a fazer precisamente o mesmo que fazíamos dantes. Afinal quem era o incompetente ? O director ? O administrador ? Sem dúvida que sim. Em relação aos jornais, vejo no entanto outros comentários onde abordam a publicidade e a "mafiosice" do poder local. Infelizmente é uma realidade. No entanto, voltamos ao mesmo, isso coloca-se em todos os níveis e nos mais diversos sectores. Se pretende evoluir na carreira, independentemente de ter de procurar algo diferente, temos de ter sempre em atenção que num país "colombializado" (pretendo dizer com características de terceiro mundo onde quase tudo se deixa subornar) existe sempre alguém num qualquer serviço público que poderá dizer para onde fomos por forma a permitir que nos difamem por esse país fora. E mais uma vez digo-lhe que reparei no seu comentário e no vosso blogue pois conheço perfeitamente a realidade empresarial, sei como funcionam as mentes de directores financeiros e administradores deste país onde alguns até têm a lata de dizerem que o povo português devia ganhar menos 10% quando eles, apenas por emitirem meia dúzia de pareceres, têm um vencimento médio de cerca de 100 mil contos por mês. É a crise. Um bom dia e um abraço !

     
  • At 03 agosto, 2005 08:48, Blogger Mente Sana said…

    E quer saber a melhor ? Um dia ouvi da boca de um administrador, eu e outros colegas, uma frase que jamais esquecerei. Nós, se nos quiséssemos ir embora perante a situação de reestruturação da empresa, íamos e não levávamos indemnização, porém aos incompetentes como alguns directores e chefes que lá estavam, era preferível darem-lhes uma boa indemnização para se irem embora, pois prejudicavam mais a empresa a trabalhar do que não o fazendo. E foi esta a justificação para os ditos totolotos de 80, 100 mil contos e alguns com mais um carrito de 5 mil no "bucho". As crises, meu amigo, se me permite, resolvem-se assim em Portugal. É devido a este comportamento que não revejo capacidade aos gestores portugueses para avaliarem ninguém e mais, os portugueses recém-licenciados que não tendo família constituida em Portugal partem para o estrangeiro porque não estão para aturar as incompetências das nossas administrações são o exemplo concreto de que tenho razão e de que vocês também estão no caminho certo. Em Portugal, mais vale ser-se incompetente do que honesto.

     

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