O Comércio do Porto

Num período em que deixou de haver papel para a tinta correr, os jornalistas e demais trabalhadores de O COMÉRCIO DO PORTO encontram neste espaço a via para o exterior, por forma a manter viva a alma do jornal mais antigo de Portugal continental. Envie as suas mensagens para comercio151@hotmail.com

quarta-feira, agosto 03, 2005

Estão todos a ir embora

No dia em que cheguei, meteram-me numa secretária em frente à porta da redacção. Foi por aí que vi pela primeira vez entrar o meu colega José Vinha, carregado de base na face e furioso porque a entrevista sobre meios de comunicação regionais que devia dar naquela manhã na NTV não tinha acontecido. Eu estava aflita. Tinha de fazer um contacto para o Ministério das Obras Públicas e eu nem sabia o que fazer. E foi o Vinha que logo se prontificou para me ajudar (sempre pronto a ajudar as estagiárias!). Desviava-me frequentemente para almoços e nesses momentos dava-me dicas sobre o que era ser jornalista. Ainda agora tem a mania de me convidar para os copos e chatear-me com as teorias dele. E se antes tinha paciência para o ouvir, agora só me apetece dizer para ele se calar. Foi ele que me disse vezes sem conta: "Um jornalista tem de escrever bem, mas não é escritor. O leitor é que tem de perceber o que ele quer dizer". Quando me vejo mais aflita com um texto, lembro-me dessa regra e acho que me vou lembrar sempre.

Foi muito triste vê-lo sair ontem de lágrimas nos olhos a dizer que me levaria para onde fosse. Até ao fim insiste em me convencer de que sou boa jornalista (para a idade, claro!)

Nem quero imaginar quando for a vez de me despedir da Cristina e do Gui. Dos meus amigos queridos e de sempre.

As saudades que vou sentir da Patrícia e das suas dicas e abraços; da Ana Cristina, que engana tantos com o mau-feitio; da Manela e dos polícias; da Jenni e da pica dela; da graça da Ana Isabel e de todas as outras colegas e amigas do Grande Porto (desculpem não dizer nomes, mas já não consigo escrever mais).

Obrigada e até à próxima a todos os que me acompanharam; a todos os meus colegas deste jornal; a todos os que acreditaram em mim e a todos os que não acreditaram, porque também me deram força.

3 Comments:

  • At 03 agosto, 2005 14:35, Blogger K@ said…

    Sou jornalista encarteirado, muito embora não desempenhe actualmente a tarefa que, no fundo, é a minha verdadeira vocação.

    E não o faço precisamente porque a conjuntura não o permite. Optei por pôr em Stand-By uma carerira na comunicação social (o que quase ninguém entendeu - «Sair da televisão?!?! Estás doido??!?») para poder receber um salário certo e não "o que fôr possível", num dia "x" e não "quando calhar"... foi uma opção difícil mas... lógica.

    Não posso fazer mais do que lamentar o que se passa convosco neste momento. Espero que nos encontremos todos em breve... numa reportagem, a fazer o que tanto gostamos, com o reconhecimento que todos merecemos.

    Marco António (CCPJ 9430)

     
  • At 03 agosto, 2005 15:35, Blogger cristina mota said…

    NÃO TE VAIS DESPEDIR DE MIM QUE NÃO DEIXO!

     
  • At 03 agosto, 2005 18:26, Blogger Ana Cristina Gomes said…

    De mim também não te despedes. Sim, que o mau feitio já foi várias vezes referido neste blog - futuros empregadores, não se assustem, é mesmo só fogo de vista -, mas eu sou um coração mole.

     

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