O Comércio do Porto

Num período em que deixou de haver papel para a tinta correr, os jornalistas e demais trabalhadores de O COMÉRCIO DO PORTO encontram neste espaço a via para o exterior, por forma a manter viva a alma do jornal mais antigo de Portugal continental. Envie as suas mensagens para comercio151@hotmail.com

terça-feira, agosto 02, 2005

Deixai-me estar ao vosso lado

Também sou dos que não acreditam que "O Comércio do Porto" acabou. Não esquecerei jamais o dia 31 de Dezembro de 1973 quando subi as escadas do edifício da Avenida dos Aliados para ocupar a função de chefe da Secção Desportiva.

Recordo aqueles que comigo para ali foram, idos do "JN" – o Costa Carvalho (chefe de Redacção) e o Alberto Carvalho (chefe do Internacional). Revejo os primeiros amigos: o Fernando Passos, Correia de Brito, Martins da Costa, Azuil Gomes, velhos Machado, Jaime Ferreira e Hugo Rocha. O Pacheco, o Barrote e o Pessoa de Amorim. O Gomes de Almeida, o Silva Tavares, o Marques da Cruz, o Manel Teixeira, o Luís de Carvalho, a Filomena Fontes e tantos outros.

Não esqueço o presidente do Conselho de Administração e director dr. Alípio Dias e o administrador Seara Cardoso, mais tarde também director. Não consigo esquecer o 25 de Abril e as 48 horas seguidas que quase todos trabalhamos. Jamais esquecerei todas as sequelas sofridas pelo jornal com a revolução. Não esqueço o 8 de Agosto de 1975 quando o "CP" arrepiou caminho e voltou a estimar os seus leitores, registando tiragens de mais de 100 mil exemplares. Não esqueço o destemido Fernando Barradas e o genial Ercílio Azevedo.

Levarei até ao fim dos meus dias a suprema satisfação profissional que tive de ser chefe da Redacção e director do "CP", entre 1978 e 1982. Bons tempos. Da passagem para o tablóide. De em 1984 sermos os primeiros em Portugal para trabalharmos em fotocomposição. De vermos na nossa frente os computadores quando ainda tínhamos o Barrote que só gostava de escrever à mão nos linguados…

Estivemos fora do CP durante cinco anos e voltamos em 1992 para ocupar a função de director-adjunto. Já na Rua Formosa (ainda hoje me custa passar na Avenida dos Aliados). Estava já instalada alguma crise, mas ainda conseguimos admitir alguns colegas que hoje choram o momento. Pensamos, naquela altura, fazer um bom jornal regional. Não foi aceite. Ainda deve estar o projecto numa gaveta. O jornal sem deixar de ser do Porto teria de ter a noção de não poder competir com JN e Público. Mas quem mandava mais assim não pensou…

Atravessamos (deixem-me também sofrer em conjunto) uma hora dramática. Outras se passaram com o jornal na iminência de fechar. Valeu-nos uma vez o brigadeiro Pires Veloso e outra por acção de um grupo de trabalhadores que não abandonou a sala da presidência do Banco Borges & Irmão.

Esperamos que a cidade e a região respondam de maneira a que "O Comércio do Porto" só esteja a passar uns dias de férias. E regresse. Eu estarei ao vosso lado, apesar de velho.

Joaquim Queirós