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quarta-feira, agosto 03, 2005

Contratado para raptar bebé de seis semanas arma cilada com PJ para mandante

Francisco Manuel

Um empregado da Junta de Freguesia de Lamas, Santa Maria da Feira, foi contratado para raptar um bebé de seis semanas, mas ao invés de efectuar o “serviço” denunciou o caso às autoridades. A mandante, uma mulher de Perafita, Matosinhos, acabou detida, numa cilada montada pela PJ e que teve a colaboração do funcionário da autarquia.

O caso remonta ao passado dia 28 de Julho quando Victor Santos, estava a limpar uma valeta e foi abordado pela mulher, de 32 anos, sua conhecida que lhe perguntou se estaria interessado em ganhar cinco mil euros. “Nos dias que correm quem não está”, explicou a ocomerciodoporto.blogspot.com, o funcionário, que logo quis saber o que teria de fazer para receber esse dinheiro. “Raptar um menino de seis semanas filho de um conhecido nosso”, disse.
Incrédulo, resolveu aceitar a proposta, “apenas para ganhar tempo, para arranjar quem o ajudasse”, mas “a consciência” levou-o a denunciar o caso à GNR local. Depois de comunicado o caso à PJ do Porto, Victor Santos foi “convidado” a participar numa cilada, tendo para isso entrado no jogo da mulher.
Foi marcado um encontro com a mulher junto ao Estádio do Dragão, mas a mulher alegando estar bastante longe não apareceu. No entanto, o funcionário da Junta afirmou que o rapto teria de ser feito o mais rápido possível, conforme lhe aconselhou a PJ. O novo encontro foi marcado para o passado sábado de manhã junto ao Colégio de Lamas. Entretanto, o próprio Victor Santos tratou de avisar os mais da criança.

Cobertor para o bebé e éter para adormecer a avó

Há hora marcada a mulher compareceu ao encontro, onde estava Victor Santos na companhia de um agente da PJ, que se apresentou como cúmplice, e por isso quis ouvir toda a trama da boca da suspeita, que lhes chegou a entregar um saco de desporto onde estava um cobertor para embrulhar o bebe, éter e algodão (para adormecer a avó da criança), luvas vermelhas, gorro para a cabeça, cabeleira, camisolas pretas. No interior do saco tinha ainda tudo o que era necessário para o bebé. O raptor contratado perguntou então pelos cinco mil euros, prometidos para a execução do trabalho, mas como a mandante não tinha, prometeu-lhe pagar após a consumação do rapto. Como garantia entregou-lhe o bilhete de identidade e carta de condução, altura em que seria detida. A suspeita ainda tentou argumentar que tudo não passava de uma brincadeira, mas acabou por ser detida.
Depois de ouvida pelo juiz de Instrução Criminal a suspeita vai aguardar julgamento em liberdade, mas obrigada a apresentar-se periodicamente no posto das autoridades da sua área de residência, estando também impedida de se ausentar do concelho de Matosinhos e contactar com uma amiga que estava consigo na altura da detenção.

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