O Comércio do Porto

Num período em que deixou de haver papel para a tinta correr, os jornalistas e demais trabalhadores de O COMÉRCIO DO PORTO encontram neste espaço a via para o exterior, por forma a manter viva a alma do jornal mais antigo de Portugal continental. Envie as suas mensagens para comercio151@hotmail.com

terça-feira, agosto 02, 2005

Comércio

Está visto que O COMÉRCIO não morreu. Está vivo, e bem vivo, na blogosfera.

A propósito...

Foi n'O COMÉRCIO que comecei a escrever para jornais, talvez ali por 76/77. Fazia,à 2ª feira, a recolha da pontuação dos jogadores e dos árbitros e um pequeno comentário para tornar a coluna menos árida.

Como o meu pai era o director do jornal, não foi difícil começar também a fazer uns joguinhos ao fim de semana. Durante dois ou três anos tive a missão de fazer as fichas dos jogos de iniciados, juvenis e juniores do Leça e do Leixões. Era o tempo em que no fim tínhamos de ouvir a opinião do árbitro sobre o jogo! Comecei depois a fazer jogos do meu Leixões na II Divisão e acumulei com uma colaboração para o "Norte Desportivo", cujos relatos eram dados quase "on line" mas através de um telefone preto instalado num dos camarotes do Estádio do Mar.

O primeiro jogo de I Divisão que fiz foi um jogo do Boavista e foi uma emoção. Pouco depois, o chefe Abílio Ferreira marcou-me uma reportagem nas Antas. Era o início de mais uma época. Voltei à redacção sem perceber o que tinha acontecido - tinha rebentado o episódio que ficou conhecido por "Verão Quente"... No O COMÉRCIO conhecido o melhor repórter-fotográfico português: Ricardo Pereira. Que não só era bom no que fazia mas também no que dizia e no que sabia.

Para O COMÉRCIO fiz também crónicas diárias do Mundial do México, em 86, e mantive durante algum tempo uma página que o Jorge Fiel baptizou de "Segundona", com notícias e comentários sobre o que se passava no segundo escalão.

Mais tarde, o João Paulo Menezes continuou a saga e acrescentou a "Terceirona", o que também estava bem, pois sempre dava para ganhar mais uns tostões...

Conheço O COMÉRCIO há muito tempo. Adorava aquela cantina, onde o meu pai às vezes me levava aos domingos, e os lanches no Guarani.

Até trabalhei no vão da escadaria principal do velho O COMÉRCIO, pois foi aí que a Gazeta dos Desportos teve a sua primeira redacção no Porto. Que era o meu jornal quando um dia alguém disse "não se publica mais, acabou".

Sei o que isto é (não estou a falar de cor, amigos), vi muita gente a chorar nos corredores. Mas cá vai um alento: hoje são muitos os 'gazeteiros' que estão a trabalhar, nos mais diversos jornais, nas mais diferentes posições. É o que desejo aos "comerciantes" que ficaram sem emprego e sobretudo sem habitat.

Basta consultar o blogue acima para se perceber que é gente com qualidade. Infelizmente, nos últimos anos foram dirigidos por sargentos.

O Porto tem jornalistas suficientemente bons para colocarem O COMÉRCIO, ou outro novo jornal, acima dos 20 mil exemplares de vendas, apesar do porta-aviões JN que com as ondas que provoca todos ameaça afundar.

PS - Um abraço muito especial para o José Miranda. Um bom homem e um bom jornalista. E está tudo dito sobre o Barão.

Eugénio Queirós