O Comércio do Porto

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sexta-feira, agosto 05, 2005

As vendedoras

A saída de metro do Bolhão tem uma parede em azulejo dedicada às vendedoras do mercado. São bonecas sem rosto, pintadas de azul, rodeadas de frutas, legumes e flores. São as senhoras com quem nos habituamos a cruzar todos os dias, depois de passarmos as portas de ferro do lado de Fernandes Tomás. Mais magras e elegantes, mas são elas. Olhei para aquilo e fiquei a pensar se, quando as obras de recuperaçã do mercado estiverem concluídas, aquela azulejo imenso vai ser o aperitivo para o que se pode encontrar, assim que se abandona a estação, ou apenas a memória do que ali existiu no passado.
As vendedoras do Bolhão esperam que não lhes fechem as portas e as deixem permanecer ali. A Câmara do Porto insiste que, após a requalificação do mercado, uma parte considerável do espaço será para o comércio que hoje lá se pratica. Mas que parte será essa, ainda não foi dito. Poderá o poder autárquico considerar 10 % do mercado como uma parte considerável? Ou estará a falar de 50 ou 70%? Vamos a ver. E já agora esperar pelo desenrolar do que promete ser mais uma novela protagonizada pela Câmara e o IPPAR. O instituto quer saber que obras são estas que serão realizadas num espaço classificado. E lembra que já aprovou um projecto para o local, da autoria do arquitecto Joaquim Massena. Mas Rui Rio não aceita este projecto e dizem algumas más línguas que, em privado, o autarca já deixou claro que Massena, com ele no poder, não terá direito a um projecto que seja aprovado na câmara. Este Agosto pré-eleitoral vai ser, certamente, mais quente do que de costume. E não será só por culpa da vaga de calor e dos malditos incêndios.