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quinta-feira, agosto 25, 2005

António Costa desconhece quanto custa ajuda estrangeira para combater os fogos

Francisco Manuel

O Ministro da Administração Interna desconhece os encargos do Estado português com a ajuda estrangeira que chegou esta semana para ajudar no combate aos fogos florestais que têm desbastado o país.

Os custos da logística dos sessenta e seis homens que formam as tripulações dos nove meios aéreos estrangeiros que neste momento operam em Portugal, tem sido assegurada pela Força Aérea e pelo Serviço Nacional de Bombeiros e Protecção Civil. Segundo uma fonte o Estado Português é responsável pelas despesas de alojamento, alimentação, horas de voo e combustível.
“O alojamento e alimentação, o combustível também, mas horas de voo tenho ideia que não nos estarão a ser debitadas”, disse, hoje, António Costa, em resposta aos jornalistas.

O ministro adiantou também que os nove meios aéreos disponibilizados pelos parceiros da União Europeia (UE) na ajuda ao combate dos fogos florestais deverão deixar o território português na próxima segunda-feira, segundo o ministro da Administração Interna. No entanto, António Costa admite que a sua partida poderá ser antecipada por causa das cheias que atingem nesta altura a Europa central.

Numa visita à Base Aérea de Maceda, Ovar, (AM1), o responsável pela administração interna nacional, começou por afirmar que “ainda não há uma data definida” para a partida do auxilio alemão, francês, italiano e espanhol, agora que os fogos estão extintos e a previsão meteorológica aponte para um aumento da humidade e um abaixamento da temperatura.

“No entanto, sábado e domingo a situação pode agravar-se e por isso gostaríamos que os meios aéreos disponibilizados apenas regressassem segunda-feira”, afirmou António Costa. O ministro que recusou uma oferta de ajuda da Eslováquia, “porque neste momento não estava a ser essencial”, diz já ter estabelecido contacto com o seu homólogo alemão, Otto Schily, para, em caso de necessidade, poder fazer regressar os seus homens e os seus meios. “Não obstante o excelente trabalho que as equipas alemãs têm feito, disse-lhe para estar à vontade, por causa das cheias”, sublinhou.

António Costa referiu-se ainda aos 1142 funcionários públicos, que são simultaneamente bombeiros voluntários, que foram libertados pelo Governo, por resolução do Conselho de Ministros, para o combate aos incêndios. “Constatamos que podem ser um reforço importante, porque temos constatado, ao longo destes dias, que a intensa utilização de um elevadíssimo número do contingente disponível tem levado a um elevado grau de saturação das pessoas”, justificou.

António Costa recordou os anteriores apelos do Presidente da República e do primeiro-ministro às entidades patronais privadas para a libertação dos funcionários que sejam bombeiros, “por isso o Estado também deveria dar o exemplo”.