O Comércio do Porto

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sexta-feira, agosto 05, 2005

Activado Plano Distrital de Emergência em Aveiro

Francisco Manuel

As chamas continuam a lavrar no distrito de Aveiro, onde desde o passado domingo os bombeiros não têm descanso para acorrer aos inúmeros incêndios que já “devoraram” casas, fábricas e uma extensa mancha florestal ainda não calculada. O Governo Civil já accionou o Plano Distrital de Emergência. Os populares lançam mão de tudo para tentar defender, muitas vezes ingloriamente, os seus bens, muitas vezes conseguidos com o suor de uma vida inteira a trabalhar.
Pelas 13 horas eram cinco os incêndios por circunscrever. Em Mamodeiro, as chamas estavam controladas, segundo os bombeiros que contam ter o fogo circunscrito ao final do dia. Este fogo deflagrou ontem e durante toda a noite não deu tréguas aos bombeiros, que só ao amanhecer conseguiram controlar a situação com a ajuda de um helicóptero e dois Canadair’s. A exemplo do que se passa em outros pontos do país os meios eram escassos, por causa da inúmeras situações quase em simultâneo que se verificavam no distrito e que dificultavam a mobilização dos meios. A principal preocupação foi defender as populações.
Em Vale de Cambra as chamas estão activas desde o passado domingo na freguesia de Arões, e ontem o inferno chegou a ameaçar algumas povoações. Pelas 13 horas havia apenas uma frente activa, de cerca de seis quilómetros, que avançava entre aquela freguesia e a Serra da Freita em Arouca. No terreno estão 72 homens apoiados por 21 viaturas de 11 corpos de bombeiros, e ainda 70 militares. Hoje o ventou baixou de intensidade, mas os acessos são um dos grandes obstáculos, mas o comandante dos bombeiros de Fajões, Manuel Abreu tem esperança de circunscrever o incêndio até ao final do dia.
Em Oliveira de Azeméis, dois incêndios que deflagraram ontem de manhã na freguesia de Ossela, evoluíram um para Macinhata da Seixa e outro para Palmaz, estando ainda activas cinco frentes. Também aqui as populações estiveram em perigo, mas conseguiram ser defendidas e o comandante interino dos bombeiros de Oliveira de Azeméis contava ter as chamas circunscritas ao final do dia. Por dominar estavam também os incêndios de Janarde, concelho de Arouca e Calvão, concelho de Vagos.
Os incêndios em Travessô, concelho de Águeda, e Oliveirinha, concelho de Aveiro, já foram circunscritos.

António Costa apela às entidades patronais para libertarem os voluntários

O ministro da Administração Interna apelou hoje, em conferência de imprensa, às entidades patronais que empreguem bombeiros voluntários para “que possam dispensá-los para que eles se possam apresentar nos seus quartéis, e reforçar o efectivo de combate aos incêndios”.
António Costa prevê que os próximos dias sejam ainda de grande dificuldade, “e é necessário termos condições para fazer rotação de efectivos porque não é possível que estejam os mesmo homens a combater os fogos, dias sobre dias”. O ministro apelou também às populações para se empenharem na prevenção em particular na limpeza das matas e em volta das casas e povoações que ainda pode ser feita agora. Exorta ainda para efectuarem um trabalho de vigilância e comunicarem às autoridades sempre que detectem qualquer foco de incêndio.
Apesar de estarem mobilizados todos os meios que existem nos bombeiros, segundo António Costa, o “risco e a ameaça têm sido de uma dimensão gigantesca”. Os apelos do responsável máximo pela protecção civil nacional, estendem-se também aos autarcas, presidentes de Juntas e de Câmaras, para “estarem atentos” e não ignorarem que “são os agentes municipais de protecção civil” e accionarem os planos municipais de emergência quando as condições assim o exigirem.
No terreno estão mais de 400 militares do exército correspondentes a 14 pelotões na ajuda aos 2700 homens bombeiros que estão no teatro das operações. Sobre a alegada falta de meios que bombeiros se queixam, António Costa adverte que por vezes os problemas não requerem mais meios, dando como exemplo a zona de Leiria, “onde os meios aéreos têm tido enorme dificuldade para operar por ausência de visibilidade”.
Segundo António Costa a falta de meios não é a questão central. “A questão central é arregaçarmos as mangas e de forma organizada podermos actuar no terreno”, disse.