O Comércio do Porto

Num período em que deixou de haver papel para a tinta correr, os jornalistas e demais trabalhadores de O COMÉRCIO DO PORTO encontram neste espaço a via para o exterior, por forma a manter viva a alma do jornal mais antigo de Portugal continental. Envie as suas mensagens para comercio151@hotmail.com

domingo, julho 31, 2005

Não acredito!

Quando li a pequena notícia na última página do Expresso dando conta da vontade da Prensa Ibércia vender a Capital e o COMÉRCIO fiquei naturalmente preocupado. Mas devo confessar que não levei aquilo muito a sério.
Estava de férias, muito longe doPorto, e mandei uma sms ao meu editor perguntando se íamos todos para o olho da rua ou apenas deixávamos de ser espanhóis. Em relação à primeira hipótese, era pura brincadeira minha. Ingenuidade. Jamais pensei que isso pudesse ser concretizável. A meio da semana, porém, um telefonema estragou-me por completo as férias. "Confirmas que se não houver comprador até ao fim da semana a última edição do jornal é no domingo?". Baque no coração. Nó na garganta. Quase ofendido perante tamanha desfaçatez, disse que "não, não confirmo nada disso", desconhecendo por completo o desenrolar do processo. Sou daqueles que acha que, em praça pública, defende-se sempre os nossos. O COMÉRCIO fechar? Nunca! És tolinha ou fazes-te? Que disparate. Então se o COMÉRCIO está melhor (respondi sempre assim quando me perguntavam, "o COMÉRCIO está bom, muito melhor, está a subir". E estava.).
Sou um optimista e acreditei até ao fim numa solução que viablizasse o COMÉRCIO. Que nos viabilizasse e permititesse fazer aquilo que todos adoramos fazer: jornalismo, o meu sonho, o meu único sonho desde menino. A Crsitina sabe-o, disse-o numa sms que lhe enviei depois de ter recebido uma dela em que me dava conta do seu pessimismo. Disse-lhe que tinha esperança e que tudo ia acabar em bem. E tinha mesmo. Na sexta sou confrontado, via rádio, com a suspensão do jornal. Sentimento de quase pânico. Meto-me no carro e acelero em fúria para o Porto. Entro a redacção e confirmo, perante as vossas faces, o pior. Lágrimas nos olhos de muitos, olhares perdidos, graves, incredulidade. Eu em choque.
Como foi possível terem deixado o COMÉRCIO morrer?!?!?

Entrei no jornal em Fevereiro de 2002, para estagiar. Comecei no Desporto, onde tive o prazer de pertencer à secção que quase parecia uma redacção dentro de outra redacção. Tímido q.b., saí de lá, contudo, com a malta a dizer que o "Gui é fixe!", não foi Maria João?, não foi Senhor Miranda?
Tinha muito para contar. Tenho vontade de fazê-lo. De assumir publicamente o quanto eu gostava de trabalhar no COMÉRCIO, o prazer e a honra que isso me dava.
Eu continuo em choque, a não acreditar que que não há mais COMÉRCIO. Não acredito!
Um abraço para todos.

5 Comments:

  • At 31 julho, 2005 20:34, Anonymous Anónimo said…

    Como foi possível terem deixado o COMÉRCIO morrer?!?!?

    Porque há gente que abana o rabo e rasteja aos pés dos directores, mesmo quando se trata de um bluff chamado Rogério Gomes.

     
  • At 31 julho, 2005 20:49, Blogger Juanita said…

    O Gui é fixe... Não me canso de o dizer. Se tudo correr bem, hei-de dizê-lo mais vezes, cara a cara, pelo messenger e a espreitar entre os computadores... Vai tudo correr bem, acredito nisso:)

     
  • At 01 agosto, 2005 09:29, Blogger AM said…

    Meus amigos

    Um grande abraço de solidariedade.

    Até sempre.

    António Moreira

     
  • At 01 agosto, 2005 10:13, Anonymous Solvstäg said…

    Lamento o encerramento de "O Comércio do Porto" e espero que, daqui para a frente, tudo corra pelo melhor.

    Um abraço.

     
  • At 01 agosto, 2005 14:18, Anonymous Zeza said…

    Sábado, 30 de Julho - o último dia em que teria a oportunidade de ler o Comércio do Porto?!...Parecia impossível, até para mim que tão poucas vezes o tinha comprado. Corri para um quiosque em Viana; eram os 2 últimos exemplares(nem sei se fiquei triste ou contente...). Ainda demorei algumas horas até arranjar coragem para o começar a folhear e...não foi nada fácil. Um pouco por força das circunstâncias, confesso, habituei-me a "ouvir" as suas notícias, a "conhecer" as pessoas que faziam todos os dias com que este jornal acontecesse, acompanhei as mudanças, a evolução de um jornal centenário. Tornou-se um conhecido, companheiro de alegrias e tristezas, o meu cartão de boas-vindas a esta cidade, que tão bem retratou. Orgulhei-me MUITO de dizer que tinha amigos no Comércio.
    E como nunca perdi um amigo, recuso-me também a perder este. E é com o coração apertado, mas cheio de esperança, que fico à espera de voltar a ler as vossas notícias.

    Um abraço a todos os jornalistas do Comércio e não desistam de perseguir corajosamente os vossos sonhos,

    Zeza*

     

Enviar um comentário

<< Home