O Comércio do Porto

Num período em que deixou de haver papel para a tinta correr, os jornalistas e demais trabalhadores de O COMÉRCIO DO PORTO encontram neste espaço a via para o exterior, por forma a manter viva a alma do jornal mais antigo de Portugal continental. Envie as suas mensagens para comercio151@hotmail.com

domingo, julho 31, 2005

comercio sempre ate a proxima

sou do porto nasci no porto e fiquei mt triste com o fecho do comercio do porto porque para as pessoas do porto nao era um simples jornal mas sim um pedaço da grandiosa historia da cidade do porto e espero que o nosso governo tenha olhos e veja que um jornal com 151 anos de vida fechou assim so porque uns espanhois olharam para o jornal como um negocio sem lucros
abram os olhos

6 Comments:

  • At 01 agosto, 2005 09:28, Blogger AM said…

    Meus amigos

    Um grande abraço de solidariedade.

    Até sempre.

    António Moreira

     
  • At 01 agosto, 2005 12:17, Anonymous Anónimo said…

    O (projecto de) TRATADO EUROPEU E AS OMISSÕES PORTUGUESAS

    Muito haverá a dizer sobre o Tratado da Constituição Europeia, um
    ddocumento de apenas 474 páginas em Português, das quais só (!) 202 dizem
    respeito ao Tratado propriamente dito, com os seus 448 artigos. As páginas
    restantes são constituídas por protocolos, anexos, e uma Acta final que
    contem Declarações relativas a disposições da Constituição.
    Não é este o espaço para se discutir se o Tratado deverá ser ratificado
    ou não. Tal implica um artigo de fundo, mas não é nossa vocação mergulhar
    nesse tipo de discussão, já que não há unanimidade entre os nossos membros.
    O que nos leva a emitir este comunicado é uma Declaração constante na
    penúltima das 474 páginas do Tratado. É a declaração número 45, com o título
    "Declaração do Reino da Espanha e do Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda
    do Norte", e onde se lê:"O Tratado que estabelece uma Constituição para a
    Europa aplica-se a Gibraltar enquanto território europeu por cujas relações
    externas é responsável um Estado-Membro. Este facto NÃO IMPLICA QUAISQUER
    ALTERAÇÕES NAS POSIÇÕES DOS RESPECTIVOS ESTADOS-MEMBROS EM CAUSA."
    A Espanha conseguiu assim colocar uma referência a Gibraltar, na qual
    torna claro que não aceita a soberania britânica sobre o Rochedo.
    Sabe-se que a situação de Olivença é um pouco diferente, pois Portugal
    considera já ter recuperado legalmente o território, desde 1808 e
    1814/1815/1817, faltando apenas a concretização ´"física" do disposto.
    Todavia, o facto permanece. A Espanha não perde uma ocasião ou um espaço
    para reafirmar a sua reivindicação... desde quase 1704! Portugal continua
    publicamente a negar-se a reconhecer a soberania espanhola sobre Olivença,
    mas, envergonhadamente, evita referi-lo...principalmente de forma ostensiva.
    O projecto de Tratado Europeu era uma ocasião para deixar claro que
    Portugal não considera estar esquecida esta questão...que, actualmente, pela
    problemática da posse das águas do Alqueva, ganhou alguma nova importância.
    Infelizmente, a "coragem" diplomática necessária parece faltar no Estado
    Português.
    O Comité Olivença Portuguesa quer, pois, chamar a atenção para a
    persistência coerente de Madrid, e lamentar a passividade incompreensível,
    ainda que já habitual, de Lisboa.
    O que se passa com a Diplomacia portuguesa? Desistiu de dar a conhecer
    as suas posições de princípio? Acreditamos que não... mas não podemos
    aceitar que, sistematicamente, se cale o que não pode estar quase sempre
    escondido, sujeito a caprichos de políticas pontuais. Não se podem calar
    questões de princípio sem que daí advenham, tarde ou cedo, consequências
    negativas.
    ESTREMOZ, 24 de Maio de 2005
    Pelo C.O.P., o presidente, Carlos Eduardo da Cruz Luna

     
  • At 01 agosto, 2005 12:18, Anonymous Anónimo said…

    PORTUGAL FAZ TANTO SENTIDO COMO OUTROS PAÍSES
    É deprimente, ainda que legítimo enquanto manifestação de Liberdade de
    Expressão, ver como o pessimismo toma conta de sectores de opinião
    portugueses (generalizando-se...) quãndo algo corre mal. Afinal, crises,
    piores ou melhores, ocorrem em todos os países. Normalmente, tenta-se
    resolvê-las, contando com as próprias forças (ainda que não desdenhando
    ajudas....), promovendo as necessárias mudanças, inclusivamente a nível de
    élites, a não ser que estas mudem por sua iniciativa. Parece é que temos
    élites muito pouco empreendedoras em Portugal...
    Quantos portugueses saberão de facto que países importantes e com bons
    níveis de vida (superiores à Espanha) têm cerca de metade do tamanho de
    Portugal? E cito quatro: Holanda, Bélgica, Suíça, Dinamarca. E, em termos de
    tamanho também, mas com áreas semelhantes, encontramos na Europa países como
    a Áustria, a Irlanda, a Grécia, a República Checa, e outros. Alguns estados
    surgiram recentemente, saídos de unidades maiores, porque sentiam a
    necessidade imperiosa de serem donos do seu próprio destino, APESAR DE
    MUITOS DELES SEREM BEM MENORES DO QUE PORTUGAL! Temos aí a Eslovénia, a
    Eslováquia, e outros. E sem complexos...
    Aliás, o principal complexo português prende-se muito com
    a existência de um único e maior vizinho na Península Ibérica.
    Há que tecer aqui algumas considerações. A actual Espanha, que, como qualquer país, tem tido, e terá,
    os seus altos e BAIXOS a nível económico e outros, agrupa, graças a casamentos reais ( um
    processo muito democrático...), vários Reinos, alguns com identidades
    "étnicas" específicas. Historicamente, desde principalmente Filipe V (Século
    XVIII), estas especificidades têm sofrido um processo de castelhanização que
    tem encontrado muitas resistências.
    Sobre esta questão da "União Ibérica", é difícil resistir a citar Olivença.
    Ocupada em 1801, e então quase tão grande como Elvas e Badajoz (assim o
    afirma a historiografia ESPANHOLA), deveria ter sido reintegrada em Portugal
    em 1814,1815,1817. Tal ainda não sucedeu. Durante o século XIX e inícios do
    XX, foi perdendo gente e importância.
    A língua e a Cultura portuguesas foram adulteradas, reprimidas, negadas.
    Ainda hoje, aí uns 80% da população ignora a sua História, em lado nenhum
    ensinada ( a democracia espanhola tem destas coisas...). Conhece agora algum
    desenvolvimento, que não compensa o que perdeu.De momento, o nível de vida é
    superior ao de Portugal (em 20%, mais ou menos)...mas...o que se fará se a
    situação se inverter dentro de alguns anos? O que se argumentará? O que se
    pode dizer é que, na década de 1950, quanda se vivia menos mal em Portugal
    do que em Espanha, isso era escondido...tentando-se discretamente impedir
    contactos entre oliventinos e portugueses.
    Como já se disse, hoje há democracia em Espanha, mas tardam a
    democratizar-se as mentalidades. Muitas vezes, o que há é um "verniz"
    democrático.
    É um pouco o exemplo de Olivença que me leva a ver com olhares ainda mais
    reprovadores uma subjugação a Madrid. Quero ter consciência da minha
    História. Porque a conheço, posso até dizer mal dela. Mas não quero ser
    obrigado a esquecê-la
    Carlos Eduardo da Cruz Luna

     
  • At 01 agosto, 2005 12:19, Anonymous Anónimo said…

    VINTE DE MAIO: TIMOR LIVRE (ou...O SIGNIFICADO AMBIVALENTE DE UMA DATA)

    Vinte de Maio de dois mil e dois. Nasce uma nova nação. Gerada no sofrimento. Combatendo a indiferença. Com sangue, muito sangue.
    Vinte de Maio de dois mil e dois. Esta data ficará na História. Vinte sete anos depois, e duzentos mil mortos como preço e marca de ocupação, a Indonésia vê surgir nas suas fronteiras um novo país ao qual quis negar a liberdade, apoiada por um grande deste mundo, em nome da estabilidade do seu próprio regime. Como se se pudessem invadir vizinhos só porque o sistema político não agrada. Não há lei que tal contemple. As instâncias internacionais nunca aceitarão a legalidade da acção.
    Em vinte de Maio de dois mil e cinco, recordemos esta lição. Portugal não pode esquecer o heroísmo de todo um povo, e pode orgulhar-se de o ter ajudado de forma decisiva. Portugal combateu uma situação de violação do Direito Internacional. Sem desfalecimento. Contra (quase)tudo e (quase) todos. Independentemente do peso dos adversários. Apenas porque acreditou que era justo fazê-lo.
    Vinte de Maio. Uma data marcante na História de Portugal.
    Vinte de Maio de mil oitocentos e um. Um governador militar, perante um ataque iminente, decide capitular. Afinal, o invasor mais não é que um peão manobrado por uma potência exterior. Lutar para quê ?
    Vinte de Maio de mil oitocentos e um. Espera-se que, tal como sucedeu em situações anteriores, tudo volte a ser como antes quando uma verdadeira paz for assinada. O invasor sairá então.
    Vinte de Maio de mil oitocentos e um. Olivença capitula, sem disparar um tiro. A população inquieta-se, mas confia. Com o tempo, tudo regressará ao normal.
    Muitos anos antes, em mil seiscentos e cinquenta e sete, ocorrera algo idêntico. Quase todos tinham fugido, para regressar onze anos depois. Tudo se recompusera.
    Vinte de Maio de mil oitocentos e um.
    Não houve sangue. Uns poucos (os pessimistas!) atravessaram o Guadiana. Em Elvas, o invasor encontraria resistência, bem como em Campo Maior. Na primeira, conseguiu uns ramos de laranjeira. Na segunda, acabou por vencer, mas a que preço!!!
    E veio uma paz falsa e logo violada. E outras guerras. E uma paz verdadeira, em que se apagou o vinte de Maio de mil oitocentos e um. Para todos. Mas não para o invasor. Que não matou duzentos mil, nem mil, nem cem. Mas matou uma cultura. Ou, pelo menos, deixou-a vazia, moribunda. Em duzentos e quatro anos, muito se consegue. Recorrendo à repressão, quando necessário. Às claras, ou discretamente.
    Vinte de Maio de dois mil e cinco. Timor-Leste é uma nação livre, com os seus problemas, avanços e recuos.Mas livre. Este vinte de Maio é diferente ao de mil oitocentos e um. Timor derramou sangue, muito sangue. Disparou-se sem contemplações.
    Olivença não viu sangue derramado em vinte de Maio de mil oitocentos e um. Evidentemente, nesse aspecto, não é comparável.
    Mas... Olivença viu ser sangrada a sua cultura e a sua história. Viu gente sua dispersa, numa sangria dos seus filhos. Não morreu na carne. Morreu no espírito. O passado tornou-se um conjunto de sombras vagas, contraditórias, falsidades contra as quais quase não consegue reagir. Perdeu as referências.
    Vinte de Maio de dois mil e cinco. A bandeira de Timor Larosae tremula sobre um povo libertado. Consciente da sua história. Dolorosa. Mas de todos conhecida. Por todos sofrida.
    O invasor teve quase vinte e cinco anos para diluir uma nação e fazê-la esquecer-se de si própria. Algumas vozes calaram-se. Outras, nunca o fizeram. Tiveram dúvidas, mas não desistiram.
    E fizeram-se ouvir. Alguns resistiram na própria terra de Timor. Outros, principalmente os que falavam em Português (ainda que não só...), protestavam. Fora de Timor, estes. E não deixavam esquecer. Teimosamente. Vinte e cinco anos de teimosia.
    O ocupante não conseguiu, em vinte e cinco anos, apagar a chama. Poucos se vergaram.
    Vinte de Maio. Uma data no calendário. Consoante o ano, o início de uma ocupação persistente, contínua, preocupada em apagar um passado de seiscentos anos, numa população que resistiu com fracos recursos e apoios. Ou o início da vida independente de um povo. Que sofreu, mas venceu. Que a diplomacia nunca abandonou. Corajosamente. Crente em princípios.
    Mil oitocentos e um. Dois mil e dois.Dois mil e cinco, recordando.
    Dois vinte de Maio...


    Estremoz,09 de Maio de 2005 Carlos Eduardo da Cruz Luna
    carlosluna@iol.pt

     
  • At 01 agosto, 2005 12:23, Anonymous Anónimo said…

    PRODUZIR RIQUEZA (versão mais reduzida)
    Não é fácil falar de certos assuntos, mas é necessário. Quanto mais não seja, porque é preciso compreender a causa de certos fenómenos. Ou, pelo menos, procurar explicações. E nada parece ter sido tão falado, nos últimos tempos, como a crise "psicológica" que se vive em Portugal.
    Portugal é um País com um estranho "azar". Apesar da sua dimensão, criou impérios que lhe foram dando riqueza sem que tivesse, internamente, de produzir o que necessitava. Foi a África, a Índia, o Brasil, e de novo a África. As riquezas entradas foram basicamente exportadas, sem valor acrescentado. Um aproveitamento pobre e mal aproveitada da grandeza adquirida. Tudo, ou quase, do que era manufacturado, era importado com os lucros de tais riquezas. A produção regrediu, até, em certos aspectos, em relação à época anterior à Expansão.
    Quando os Impérios desapareciam, um outro surgia, e o ciclo repetia-se. Até que desapareceu o último. E, ao fim e ao cabo, o que ficou de material? Pouco, muito pouco. Quase nada.
    Como referiu, e muitíssimo bem, numa carta publicada na Imprensa um cidadão de Esposende chamado Carlos Sampaio, com quem adoraria trocar impressões, o que ficou, em Portugal, foi uma mentalidade negativa, concretamente "a noção de que não é fundamental contribuir para a criação de riqueza, de que basta estar estrategicamente colocado por onde ela passa".
    O nosso futuro depende de vários factores. Não nos podemos limitar "a arranjar um bom lugar na margem do rio e esperar ir apanhando uns bons peixes que passem". A qualquer momento alguém pode deixar de fornecer o rio, ou poderá desviá-lo. É preciso "escolher que peixes temos condições para desenvolver, proporcionar condições para os desenvolver, criá-los com base em conhecimentos", e nunca ficar sentados à espera.
    Isto implica pensar ou repensar um país. Mais do que chorar, interessa meditar, e encontrar soluções. É a única alternativa à morte por inacção.
    Há que pensar na formação, e não tratar o Ensino como parente pobre. Há que incentivar o trabalho, e valorizá-lo. E dar o exemplo. Como esperam algumas elites que se trabalhe, se o exemplo que fornecem é negativo? E, claro, há que recompensar de facto quem trabalha, principalmente quem produz valor acrescentado.
    Tem de se dividir melhor a riqueza, um dos maiores males que afectam, desde há séculos, o nosso País. Segundo o Instituto Nacional de Estatística, os 20% da população portuguesa mais pobre recebe 5 % do Rendimento Líquido Nacional, e os 20% da população mais rica recebe 7,6 mais do que os 20%mais pobres. Esta diferença é o dobro da verificada nos outros países da União Europeia. Este quadro fica mais negativo se acrescentarmos que os 10% mais pobres recebem 2,2% e que os 10% mais ricos recebem 29%. Isto significa... 13 vezes mais!!!
    Há que incentivar causas, e não prometer ou procurar riqueza imediata, pois esta só se consegue com objectivos mobilizadores que expliquem sem margem para dúvidas os benefícios de alguns sacrifícios.
    Carlos Eduardo da Cruz Luna Estremoz, Junho de 2005
    Rua General Humberto Delgado, 22, r/c 7100-123-ESTREMOZ 268322697 939425126


    CONTRA O PESSIMISMO PORTUGUÊS
    É um pouco difícil explicar exactamente as causas do pessimismo português,
    mas podem tentar-se procurar algumas explicações.
    Por exemplo, o Português é impaciente. Não lhe chega ter evoluído muito nos
    últimos trinta anos, com altos e baixos à mistura. Para ele, era necessário
    estar já ao nível de uma Suécia ou Holanda. Mesmo tendo partido de uma
    grande posição de desvantagem. Assim, é difícil estar contente. Convém ser
    ambicioso, mas há aqui um exagero, pois não é possível em trinta anos
    "queimar" tantas etapas!
    Portugal habituou-se a viver em função de um Império Ultramarino nos últimos
    500 anos (Oriente, Brasil,África). Agora, regressa a 1415. Olha para o seu
    país, e, claro, fica deprimido. Resta-lhe tão pouco espaço...
    Aqui, é curioso verificar como se insiste na idéia de que o País é pequeno.
    Quantos portugueses saberão de facto que países importantes e com bons
    níveis de vida (superiores à Espanha) têm cerca de metade do tamanho de
    Portugal? E cito quatro: Holanda, Bélgica, Suíça, Dinamarca. E, em termos de
    tamanho também, mas com áreas semelhantes, encontramos na Europa países como
    a Áustria, a Irlanda, a Grécia, a República Checa, e outros. Alguns estados
    surgiram recentemente, saídos de unidades maiores, porque sentiam a
    necessidade imperiosa de serem donos do seu próprio destino, APESAR DE
    MUITOS DELES SEREM BEM MENORES DO QUE PORTUGAL! Temos aí a Eslovénia, a
    Eslováquia, e outros. E sem complexos...
    Talvez Portugal seja livre há tanto tempo que já nem sabe dar valor à
    liberdade. O que é perigoso, pois a Liberdade tem preço, e muitas vezes pago
    com sangue!
    Carlos Eduardo da Cruz Luna R. Gen. Humb. Delg. 22 r/c 7100-123-ESTREMOZ 268322697 939425126



    COMPLEXOS PORTUGUESES
    Portugal tem vários complexos. Sofre de uma necessidade de "aparecer", por
    vezes a qualquer custo, nas arenas internacionais. Por vezes de forma
    ridícula. E parece envergonhar-se até de reivindicar com persistência aquilo
    a que tem direito. Alguns silêncios sobre questões de violação das águas
    territoriais portuguesas, ou, talvez pior, um meio-silêncio de duzentos anos
    sobre o território de Olivença, são disso exemplo. Felizmente, neste caso,
    há algumas excepções honrosas.
    Também não ajudou a combater o pessimismo o nacionalismo serôdio de 48 anos
    em que ser nacionalista e patriota era obrigatório... mas em que o nível de
    vida pouco cresceu, em que quase só élites prosperaram, e (pior! Muito
    pior!) em que qualquer português que passasse além Pirinéus verificava,
    estupefacto, como os níveis de vida e o conforto dos povos da Europa
    Ocidental ( então referenciada em Portugal como decadente) eram
    incomparavelmente superiores aos de Portugal.
    As élites são outro problema, já que tradicionalmente, e ressalvando
    honrosas excepções, são egoístas, incapazes de colectivamente procurartem
    caminhos comuns, descrentes e desconfiadas em relação ao seu próprio povo.
    Povo, aliás, que olham mais como uma "massa" explorável do que como
    concidadãos.
    Os hábitos de trabalho, num povo habituado a ver que quem melhor supera as
    dificuldades são os que pouco ou nada fazem, ou mesmo os "espertalhões" e os
    desonestos, não estão obviamente muito arreigados. Tradicionalmente, o
    trabalho não é socialmente muito prestigiante...
    Os políticos parece não terem aprendido muito com a Primeira República e a
    sua queda. Embora haja progressos, a classe política continua afastada do
    povo, e a prometer o que não tenciona cumprir, ainda que neste caso sejam
    muitos os países onde se verificam comportamentos semelhantes...o que muitos
    parecem ignorar ou fingir ignorar.
    Parece-me que há no Português um hábito curioso que talvez seja uma herança
    Sebastianista: descrer em si próprio e no seu país e esperar um Salvador,
    uma Mente Iluminada que tudo resolva e o dispense de pensar; deste modo, é
    difícil mobilizar-se em termos individuais e colectivos para pressionar no
    sentido de profundas mudanças sociais.
    Talvez reflexo de tudo isto, é a desorientação geral do Poder Político. Não
    há um projecto coerente para Portugal, que consiga consensos mínimos. O que
    deve produzir-se em Portugal? O que se deve fazer para evitar e corrigir as
    profundas disparidades entre diferentes regiões do País? Como se deverá
    planificar a economia ( mesmo em Economia de Mercado algo se tem de
    planear!) para que o nível de vida dos trabalhadores portugueses, e portanto
    a sua dedicação ao trabalho, se aproxime dos níveis ditos "europeus?
    A juntar ainda a tudo isto, está o baixo nível de formação e de
    escolarização ( não esquecendo a cultura ) da população. É evidente que se
    tem de corrigir este aspecto, e não parece ser isso o que se está seriamente
    a fazer.
    Para concluir ( e muito mais haveria a dizer ), direi que nunca um povo ou
    um país prosperaram abdicando da sua existência. Nenhum estrangeiro
    (Espanhol, Francês, Alemão) nos virá "ajudar" sem pedir nada em troca. E sem
    ter tendência a monopolizar os cargos superiores e mais bem pagos...


    Estremoz,Junho -2005 Carlos Eduardo da Cruz Luna
    Rua General Humberto Delgado, 22, r/c 7100-123-ESTREMOZ 268322697 939425126
    __________________________________________________________

    O GRANDE AUSENTE DAS CIMEIRAS IBÉRICAS
    Li, com muita atenção e agrado, o livro "PORTUGAL-O MEDO DE EXISTIR",
    do filósofo José Gil. Ignoro se o autor do citado livro concordará comigo ( e desde já quero
    deixar claro que as reflexões seguintes são da minha inteira
    responsabilidade), mas, ao ler notícias sobre a Cimeira Ibérica de 12 de
    Abril (de 2005), não pude deixar de fazer algumas analogias.
    Isto porque, em todas as Cimeiras Ibéricas de que me recordo (e já tenho
    quase 50 anos), há um tema que tem estado, incompreensivelmente ausente...como
    se uma estranha maldição pairasse sobre ele. Um tema que, afinal, quase todos
    conhecem, e que, tarde ou cedo, em discussões "oficiosas" sobre relações ibéricas,
    acaba por ser abordado. Refiro-me ao contencioso de Olivença.
    Ainda no dia 6 de Abril, o embaixador de Portugal em Espanha, Dr, José
    Filipe Moraes Cabral, em visita à Extremadura espanhola, afirmou que tal
    questão nunca impedira os dois estados peninsulares de se relacionarem
    amigavelmente, e que, num momento de excelentes relações entre Madrid e
    Lisboa, tal tema não estava na Agenda Diplomática.
    Há aqui uma lógica perversa que me escapa. Os dois Estados são aliados e
    amigos na União Europeia, mas, por causa disso, não podem discutir um assunto
    que é dos mais antigos pendentes entre eles. Ora, isto só pode significar que
    tal tema só poderá ser trazido à baila se as relações piorarem... o que
    não tem pés nem cabeça!
    Sabe-se que esta divergência ibérica tem reflexos, nomeadamente, no
    problema da posse das águas do "lago do Alqueva. Sabe-se que, por causa do
    problema da soberania controversa, houve já vários incidentes em volta da
    reconstrução da Ponte da Ajuda, entre Elvas e Olivença, que levaram a
    reuniões quase secretas entre diplomatas dos dois países. Sabe-se que a Constituição portuguesa actual está redigida de forma a acautelar
    os interesses portugueses na região em causa.
    No meio de tudo isto, há até um argumento
    curioso referido num jornal português de grande tiragem, adiantado pelo
    Primeiro Ministro espanhol, José Maria Aznar em 1999, segundo o qual esse era
    um tema cuja solução se encontraria no seio do processo de integração na
    União Europeia. É conhecida a perseverança espanhola no que a Gibraltar diz
    respeito, limitando-se Madrid, nas discussões sobre o tema, a assegurar aos
    gibraltinos que não serão prejudicados(algo que se poderá aplicar em
    Olivença), mas nunca, nunca mesmo, abdicando de reclamar a soberania sobre o
    território...independentemente de as suas relações com Londres estarem em
    fases mais, ou menos, positivas.
    Mas, de Cimeira para Cimeira, desde há duzentos anos, com excepções muito
    pontuais, o problema de Olivença nunca consta nas agendas. Estranha
    diplomacia, estranhos conceitos de prioridades. Dir-se-ia que os mais variados
    governos, em vez de encarar de frente, correcta e pacificamente, o problema,
    que nem sequer se reveste duma gravidade extrema, preferem referi-lo nos
    corredores, envergonhadamente. Será isto também "medo de existir"?
    Estremoz, Junho de 2005
    Carlos Eduardo da Cruz Luna
    Rua General Humberto Delgado, 22, r/c 7100-123-ESTREMOZ 268322697 939425126
    carlosluna@iol.pt

     
  • At 01 agosto, 2005 13:23, Anonymous Anónimo said…

    Esqueceu-se de dizer que o ROGÉRIO GOMES foi o Miguel Vasconcelos do Comércio do Porto. Um lacaio sempre ao serviço do capital...

     

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